A Comissão Europeia aprovou esta semana um conjunto de medidas complementares de apoio ao sector, visando, como primeiro objectivo, a recuperação do nível de preços das «commodities» lácteas. O motivo prende-se com a constatação de que o mercado lácteo comunitário e internacional está a atravessar dificuldades, designadamente ao nível da quebra das cotações dos principais produtos transaccionados à escala global, como o leite em pó, a manteiga, o queijo ou o soro em pó.
As medidas agora aprovadas passam pela reentrada em funcionamento do sistema de restituições à exportação, que se encontravam a nível zero desde Julho de 2007, bem como o potencial aumento dos volumes de leite em pó desnatado e de manteiga, que poderão, durante 2009, ser colocados nos armazéns comunitários ao abrigo do regime de compras de intervenção.
A comissária da Agricultura, Fischer Boel, tinha revelado a semana passada a intenção de introduzir medidas imediatas para «estabilizar o mercado», tendo em conta que o preço do leite e de vários produtos derivados subiu para valores sem precedentes em 2007 e 2008, assistindo-se, hoje, a uma situação quase inversa, devido, sobretudo, ao aumento da oferta no mercado mundial e à redução da procura no mercado interno.
Em reacção à decisão europeia, a Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL) considera que as decisões agora tomadas «vão de encontro à avaliação que a ANIL faz da actual situação de mercado e demonstram, como vimos defendendo, a necessidade de existência de ferramentas que permitam actuar pontualmente, sempre que a conjuntura o justifique, na busca de equilíbrios menos penalizadores para o conjunto dos elos da fileira».
A ANIL considera que as medidas adoptadas terão «diferentes impactos no caso do mercado lácteo nacional», notando que «o aumento dos quantitativos de manteiga passíveis de serem colocados em intervenção corresponde a uma reivindicação que, desde 2003, a indústria láctea portuguesa vinha fazendo». Também quanto ao «alargamento dos quantitativos de leite em pó desnatado» sujeitos a intervenção, ele «poderá ser benéfico para a indústria nacional», diz a ANIL, dados os «volumes excepcionais de secagem de leite que foram realizados nos últimos meses».
No caso das restituições à exportação, «a vantagem» para a indústria nacional está, segundo a ANIL, na «possibilidade de colocação de maiores quantitativos de produtos lácteos produzidos na UE para lá das fronteiras comunitárias». Só assim será possível baixar a concorrência externa.
Fonte: Anil
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