Angola: Seca Destruiu Culturas de Milho e Feijão na Catata

A seca está a provocar grandes prejuízos aos agricultores da Catata, município da Caala, no planalto central de Angola, que viram destruídas a totalidade das culturas de feijão e 70 por cento das áreas cultivadas com milho.

O problema, hoje revelado pelas autoridades locais, resulta da falta de chuva que se verifica há mais de dois meses naquela região da província do Huambo, situada a cerca de 100 quilómetros a sul da capital provincial.

Segundo o administrador comunal, Simão Tchiduva, é necessário que o governo forneça sementes para que os agricultores possam cultivar os campos na segunda época agrícola do ano, de forma a evitar o agravamento da situação alimentar da população.

A falta de chuva que se tem feito sentir no centro e sul de Angola desde finais de Dezembro está a provocar a destruição de parte significativa da produção agrícola que se previa para este ano.

Na província da Huíla, as autoridades estimam que a seca tenha destruído cerca de 80 por cento das culturas de milho, feijão e amendoim, afectando cerca de 600 mil agricultores, especialmente nos municípios do Lubango, Chibia, Humpata, Quipungo, Quilengues e Gambos.

A seca está também a afectar as províncias do Cunene e do Namibe, no sul do país, e algumas zonas do interior da província de Benguela.

Na sequência desta situação, Conceição Cristóvão, assessor do primeiro-ministro para as questões regionais e locais, assegurou hoje que o governo está atento ao problema e vai tomar medidas para minimizar a situação.

No imediato, segundo Conceição Cristóvão, serão adoptadas “medidas de emergência”, que passam pela canalização de recursos financeiros que permitam distribuir bens alimentares essenciais às populações mais afectadas.

“Os recursos financeiros devem também permitir a aquisição de equipamentos para abrir novos furos de água e construir recintos para a retenção de água, como forma de minimizar os efeitos da seca”, acrescentou.

Os problemas causados pela seca foram avaliados nos últimos dias por uma comissão governamental que se deslocou às zonas mais afectadas, tendo, no final da visita, o ministro da Administração do Território, Virgílio Fontes Pereira, admitido que a situação é “preocupante”.

Em declarações aos jornalistas, o ministro frisou, no entanto, que “a situação ainda está controlada”, mas acrescentou que “se não forem tomadas as medidas necessárias, nos próximos 60 dias poderão começar a surgir situações de maior risco, mesmo para a sobrevivência humana”.

Nessa perspectiva, Virgílio Fontes Pereira defendeu que, além da distribuição de sementes e bens de primeira necessidade, o governo deve adoptar outro tipo de medidas que permitam o aumento das zonas irrigadas, a abertura de mais furos de água, a instalação de tanques de água para os animais beberem e o armazenamento de mais reservas alimentares.

A criação de um fundo autónomo que permita acudir a este tipo de situações, que têm um carácter cíclico em Angola, foi também defendida pelo ministro no final da deslocação às províncias do sul do país mais afectadas pela seca.

Fonte: Lusa

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