O Governo angolano vai relançar a produção de açúcar no país e já tem no terreno projectos de plantação de cana-de-açúcar nas províncias de Malange, Cunene, Kwanza Sul e Zaire, para onde estão programadas quatro fábricas.
O anúncio foi feito pelo ministro angolano da Indústria, Joaquim David, numa visita que realizou recentemente à comuna do Dombe Grande, na província de Benguela, região que no período colonial produzia em grande escala açúcar e onde existia uma das duas importantes fábricas do país.
Segundo o ministro, o Governo está já a fazer contactos com investidores nacionais e estrangeiros no sentido do relançamento da produção do açúcar em várias regiões do país.
Contactado pela Agência Lusa, o director nacional da Agricultura, Pecuária e Florestas, Domingos Nazaré, disse que há um esforço da parte governamental em tentar reactivar a produção da cana-de-açúcar, com vista ao relançamento da produção de açúcar e a sua exportação
“O país vive inteiramente de importações, o que não poderá continuar. E para tal o Governo quer repor as capacidades que existiam anteriormente em termos de produção de açúcar”, afirmou.
De acordo com Domingos Nazaré, no período colonial, Angola teve um grande potencial nesta área, exportando grande parte da produção de açúcar, mas a guerra que o país viveu foi um dos grandes causadores da paralisação das duas fábricas que existiam, em Benguela e no Caxito (Bengo).
“A produção da cana-de-açúcar está a níveis bastante baixos perante o potencial do país e as fabricas estão paralisadas”, disse.
Mas a produção de cana-de-açúcar, apontou Nazaré, vai ser retomada nas províncias do Zaire, Malange, Cunene e Kwanza Sul, onde se prevê a instalação de uma fábrica em cada uma das regiões.
Domingos Nazaré frisou que esse “ambicioso projecto” de relançamento da produção de açúcar vai ser feito “em outros moldes”, com a criação de pólos agro-industriais locais.
As produções máximas de açúcar angolano aconteceram nos anos de 1971 a 1973. Mas, a partir de 1974/75, as colheitas decresceram abruptamente.
Em 1990 registou-se a menor produção de sempre e logo a seguir, encerrou a maior açucareira do país, em Benguela, em 1991.
O estado obsoleto das máquinas da unidade industrial do género, construída nos anos 50, levou ao seu encerramento. O mesmo aconteceu à açucareira de “Bom Jesus”, na província do Bengo.
Ainda não existem dados sobre o total dos investimentos previstos, mas, na visita que fez a Angola e que terminou na segunda-feira, o ministro do Comércio da China, Chen Deminz, confirmou que este país vai apoiar, com uma equipa técnica, e com fundos, o relançamento da agricultura angolana, incluindo o sector açucareiro.
Está já a decorrer a implantação de um projecto açucareiro, comparticipado pela petrolífera Sonangol e pela construtora brasileira Odebrecht, na área de Capanda, em Malange, onde deverão ser investidos cerca de 200 milhões de dólares (154.2 milhões de euros).
Este projecto pretende, segundo o Portal das Empresas do Governo angolano
Fonte: Agroportal
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