Numa altura em que o mercado português está saturado, há quem considere que Angola pode ser uma boa aposta na exportação de lacticínios. A fábrica de queijo Insulac, em São Miguel, já colocou esta hipótese em prática. Sensivelmente todas as semanas sai de Ponta Delgada um contentor de queijo dirigido a Angola.
Os números segundo Jorge Costa Leite da Insulac, passam pelo envio de um contentor de queijo por semana, chegando assim às 500 toneladas por ano. De acordo com aquele empresário, a colocação de queijo no mercado externo, além de interessante do ponto de vista económico, é igualmente importante porque retira do mercado nacional – nesta altura fortemente saturado – alguns volumes que, a não ser assim, ainda aumentariam mais a concorrência nos espaços comerciais portugueses.
Uma alternativa positiva, mas que também tem aspectos menos bons. O transporte da mercadoria é complicado, não só pelo seu custo elevado, mas também pelas condições do Porto de Luanda., que obrigam os navios a, por vezes, terem de esperar um mês ou mais para fazer a descarga do produto. “Estamos a enviar queijo em Setembro e Outubro, que irá ser vendido por alturas do Natal”, refere Jorge Costa Leite.
Ainda assim os factores negativos não desmotivam os produtores açorianos. A exportação de queijo para os Açores tem vindo a aumentar todos os meses. Os produtos com destino a Angola já representam cerca de dez por cento da produção da Insulac. O mercado angolano do queijo cresce, nesta altura, a entre quinte e vinte por cento ao ano.
Segundo Jorge Costa Leite da Insulac, São Miguel e Terceira estão a suportar a ineficiência dos portos das restantes ilhas. Custos, que segundo o empresário, deviam ser suportados pelo Governo Regional, de forma a que o porto de São Miguel pudesse ser mais competitivo.
Também os produtores estão descontentes com esta situação e exigem medidas com máxima urgência. Virgílio Oliveira da Associação de Jovens Agricultores Micaelenses considera que o modelo de transporte marítimo deve ser revisto rapidamente.
Segundo aquele responsável, a economia de São Miguel não está em condições de fazer face aos transportes para as outras ilhas. Virgílio Oliveira acrescenta ainda que vê com bons olhos a liberalização do Porto de Ponta Delgada associada a uma compensação nas restantes ilhas.
Neste momento enviar um contentor de Portugal continental para a Holanda fica a cerca de metade do preço do que custaria para os Açores.
Prolacto baixa preço do leite à produção
A fábrica de lacticínios Prolacto acaba de anunciar uma descida de 2 céntimos por litro no preço do leite à produção a partir de 1 de Novembro. Esta tendência será seguida pela restante indústria nos próximos dias. As fábricas de lacticínios argumentam que o mercado nacional está inundado de produtos lácteos da Europa, o que obriga a baixar os preços.
Rombo nas contas da Unileite
A decisão da Prolacto em baixar dois cêntimos o preço do leite à produção custa caro à União de Cooperativas. Mesmo assim, a fábrica dos lavradores açorianos decidiu manter o preço à produção, durante o mês de Novembro, mas a situação pode sofrer, em breve, alterações. Depois da Prolacto ter anunciado aquela redução, foi um autêntico alivío para os produtores da Unileite, nas palavras de Gil Jorge, o Presidente da direcção, que prometeu manter o preço praticado, mas a decisão só deverá ser válida por um mês, podendo tudo mudar já em Dezembro. Para Gil Jorge, os mercados estão difíceis e acrescentou não ter gostado da decisão unilateral da Prolacto, uma vez que a redução do preço do leite custa muito dinheiro à Unileite, mais concretamente, 3 mil euros a menos, por dia.
Fonte: Anil
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