Há alguns anos que se tornou numa ferramenta de trabalho comum das grandes multinacionais alimentares. No entanto, em Portugal, ainda tem pouca expressão. A análise sensorial é um exemplo de como a ciência se pode aliar à indústria para garantir o sucesso empresarial.
Na verdade, é o parceiro que todos os gestores gostariam de ter na hora de tomar decisões, cujo futuro depende da opinião dos seres humanos.
Por definição, a análise sensorial é uma ciência que estuda a percepção e reacções do consumidor, facultando, desta forma, indicadores que podem ser essenciais para se perceber se um produto vai, ou não, ter aceitação no mercado.
Num sentido mais prático, esta ciência permite às empresas lançar os produtos mais variados e originais seguindo as orientações dos consumidores, que participam em vários testes para determinar as características ideais desse alimento.
Do sabor ao pacote ideal
Quando o consumidor se depara com cerveja com sabor a pêssego, água com sabor a melão, iogurte de bolacha maria, ou com um simples queijo, não imaginas as provas e testes por que já passaram até chegar ao mercado, nem as ideias que ficaram pelo caminho, em parte porque um grupo ou painel de pessoas não os aprovou.
Mas, além de estudar o sabor ou o aroma, esta ciência ajuda a descobrir, por exemplo a cor, a forma e o material para a embalagem que mais vão atrair a atenção do consumidor, recorrendo, para tal, a vários métodos científicos.
“Esta ciência engloba outras, como a Medicina, Matemática, química ou Física, e tem por objectivo caracterizar propriedades sensoriais num produto, que não tem necessariamente de ser um alimento, utilizando os nossos sentidos”, explica César Ferreira, da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto, que trouxe vários especialistas internacionais em análise sensorial até à Invicta para debater o tema.
Como membro da European Sensory Network(ESN), a Escola de Biotecnologia da Católica quer colocar a análise sensorial no mapa da indústria portuguesa. “Em Portugal, estamos numa fase de ajuste, o seminário serviu para informar, para relembrar que existem ferramentas para que a indústria se torne mais competitiva a nível global”, adianta o engenheiro alimentar.
Transversal à indústria
Ao contrário do que se verifica em grupos, como a Danone ou a Nestlé, no nosso país a análise é uma técnica usada, apenas, nos sectores de vinhos e bebida alcoólicas. No entanto, como reforça César Ferreira, este tipo de análise é transversal a toda a indústria. “Há experiências na indústria automóvel para perceber se o denominado cheiro a carro novo agrada a todos”, exemplifica. Há, ainda, marcas de restauração de “fast-food”, que têm “um cheiro típico” que o olfacto humano identifica em qualquer parte do Mundo. “Tudo isto”, revela César Ferreira, “é estudado pelas grandes marcas porque querem ter retorno”
Esta ciência é, claramente, uma aliada do marketing, permitindo, depois de destacada uma tendência, “ir desenhando o produto” com os traços o mais aproximado possível aos desejos do consumidor. “Os actos de compra são, em grande medida, dependentes das avaliações sensoriais que fazemos da cor, textura, sabor, aromas.
Interagimos com o Mundo através dos sentidos, que levam a informação para o cérebro que faz hierarquização dos dados”, explica o especialista. Descobrir a ordem de importância que o nosso cérebro dá às informações é o grande desafio da análise sensorial. “O que se procura fazer através da confluência das várias ciências é reduzir o erro da medida, o que diminui a incerteza da indústria ao lançar um produto”, salienta o responsável.
Fonte: Anil
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