Amêndoas vêm lá de fora

Uma tradição que hoje depende da importação

Amêndoa torrada, de baunilha, francesa, belga, de licor, de amendoim, de grão de café e até mesmo dietética. Estes são alguns dos muitos exemplos da vasta escolha disponível ao público. Mas engane-se quem pensa que este é um produto nacional. Tirando um ou outro caso, todas elas são importadas de diferentes países da Europa.

Não há registos históricos de quando é que o fruto se associou à Páscoa, mas a verdade é que actualmente a amêndoa é um símbolo incontornável desta festa religiosa. No caso do cristianismo, aquele fruto simboliza Jesus, já que a própria morfologia da amêndoa explica essa analogia a casca dura esconde o fruto apetitoso.

Questões religiosas à parte, a amêndoa é hoje uma guloseima para miúdos e graúdos. Ao passear por qualquer rua do nosso país, encontramos montras de pastelarias e confeitarias repletas de todos as doçarias típicas desta festa pascal. A amêndoa assume um destaque claro nesta panóplia de sabores e tradições.

A confeitaria “Cunha”, na cidade do Porto, é uma casa centenária que, nesta época festiva, oferece uma vasta escolha de produtos típicos da Páscoa aos seus clientes. Segundo António Quelhas o estabelecimento tem “clientes habituais que são fiéis ao longo dos anos e que vêm de propósito só por causa das amêndoas”.

Importar em vez de produzir

Dos mais de cem tipos de amêndoas que a confeitaria tem à venda, apenas um é de fabrico próprio. É o caso da torrada que “é um segredo que já vem desde os primórdios da casa”. Todos os outros tipos de amêndoas são compradas a uma distribuidora que as importa de diversos países europeus, como é o caso de Espanha, França e Bélgica.

Para António Quelhas, o ideal seria produzir as amêndoas em Portugal. “Implicava estar a comprar um produto que é nosso para além da possibilidade das divisas ficarem em território português”, refere. Os motivos para a ausência de produção própria de amêndoas? “Provavelmente será por causa dos custos da mão-de-obra”, admite António Quelhas.

Outro dos problemas que a importação do produto acarreta prende-se com o facto de, no caso de rotura de stock, não haver hipótese nem tempo para fazer uma nova encomenda. Esta questão não se colocaria se as amêndoas fossem produzidas no nosso país.

Apesar da crise que atravessa o nosso país, a “Cunha” não tem razões de queixa nesta época festiva. Como resultado da fidelização dos clientes, a confeitaria continua a “apresentar bons resultados”. Prova disso é a “tonelada de amêndoas” que António Quelhas admite vender por ano.

Fonte: JN

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