As vantagens do cultivo do milho Geneticamente Modificado (GM), em comparação com o convencional, foram hoje destacadas por agricultores da zona de Elvas, que garantiram ter obtido maior produtividade e custos de produção mais reduzidos.
“Tenho 300 hectares de milho, dos quais 230 são de milho GM, que comecei a plantar no ano passado, e 70 são de convencional. O balanço, tanto da primeira colheita, em 2005, como desta, que está na fase final, é extremamente positivo porque os números estão à vista”, assegurou hoje José Maria Rasquilha.
Este agricultor, cuja propriedade se situa no concelho de Campo Maior, a uns 20 quilómetros de Elvas (Portalegre), foi um dos participantes na visita hoje promovida a campos de milho transgénico pelo Centro de Informação de Biotecnologia (CIB).
Em Portugal, está regulamentado o cultivo de 17 variedades de milho geneticamente modificado, desde 2005, e, este ano, foram semeados mais de 1.200 hectares dessa cultura transgénica, sendo que vários desses agricultores estão localizados na zona de Elvas.
José Maria Rasquilha, de 44 anos, é um desses casos e o maior agricultor de milho GM em Portugal, que cultiva em coexistência com o convencional – como a legislação obriga -, e que, segundo afirmou, permitiu-lhe aumentar a produção e reduzir custos.
“Ainda estamos numa fase muito inicial do cultivo destas variedades, mas, através da modificação genética da semente, para a planta ser resistente às lagartas da broca do milho, não preciso de fazer qualquer tratamento com agroquímicos na área plantada com transgénicos”, frisou.
Em contraponto, acrescentou, os hectares com milho convencional, que correspondem a cerca de 22 por cento da área total de milho da exploração, tiveram de receber “três tratamentos contra os ataques das lagartas, no ano passado”.
Este ano foi mais favorável em termos de humidade e temperaturas, mas, ainda assim, a área com milho convencional necessitou um tratamento para resistir aos “ataques da praga”, o que “faz sempre disparar os custos”.
“A redução de custos, por si só, já é uma vantagem do cultivo de milho geneticamente modificado, mas, a somar a isso, também produzi mais 25 por cento, no ano passado, do que com o convencional”, disse.
Daí que José Maria Rasquilha garanta que “o futuro passa pela biotecnologia” e que, “quem não semear milho transgénico nos próximos cinco ou seis anos, vai ficar totalmente fora da modernidade e dos avanços tecnológicos” no sector agrícola.
A juntar a estes factores, durante a visita de hoje foram também enumeradas as vantagens ambientais dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM), além dos especialistas garantirem que o risco para a saúde pública do consumo daqueles produtos “não é superior ao risco dos produtos convencionais”.
Pedro Fevereiro, director do CIB, salientou que, no caso do milho, as 17 variedades aprovadas para produção na União Europeia estão “perfeitamente testadas em termos de segurança alimentar e de impactos ambientais”.
“A grande maioria dos estudos, ao nível dos alimentos produzidos por estas variedades transgénicas e da interacção com o ambiente, demonstram que não existem riscos acrescidos. É certo que não há risco zero na prática agrícola, mas, comparando o milho convencional com o transgénico, o risco é idêntico”, argumentou.
Fonte: Agroportal
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