Alterações Climáticas: Relatório aponta custos astronómicos

Os custos do aquecimento global podem superar os das guerras mundiais se não forem tomadas medidas na próxima década, segundo um relatório divulgado em Londres que aponta Portugal como um dos países europeus mais afectados pelas alterações climáticas.

O estudo, da autoria de Nicholas Stern, um ex-responsável do Banco Mundial, prevê que o número de refugiados vítimas de secas ou inundações se eleve a 200 milhões de pessoas.

Na apresentação do documento, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair , apelou à acção imediata e mundial para combater as alterações climáticas e alertou para as consequências “desastrosas” e “irreversíveis” para o planeta se nada for feito para combater o problema.

“Não há dúvida de que as consequências para o nosso planeta serão literalmente desastrosas num futuro próximo. Não há nada tão grave, nem tão urgente, nem que exija mais decisões”, acrescentou Blair.

O relatório, que tinha sido encomendado há um ano pelo Governo britânico, salienta que os custos mundiais do aquecimento global poderão ser superiores a 5,5 biliões de euros, mais do que custaram as duas guerras mundiais ou a grande Depressão de 1929, tornando grandes zonas do planeta inabitáveis.

Mesmo que a poluição acabasse agora, os gases com efeito de estufa continuariam a aquecer o clima durante mais de trinta anos com o nível dos mares a continuar a subir durante mais um século.

Tony Blair estimou que as alterações climáticas poderão custar entre cinco e 20 por cento do Produto Interno Bruto mundial, todos os anos.

Pelo contrário, tomar medidas imediatas para atacar o problema custaria apenas um por cento do PIB mundial.

Segundo fontes do Governo britânico, Londres confia que os EUA, principais emissores de gases com efeito de estufa, se vão convencer da racionalidade económica desta luta e colaborar com o resto do mundo no combate às alterações climáticas.

Londres insiste na necessidade de acelerar as negociações internacionais sobre um documento que substitua o protocolo de Quioto para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, negociações que começarão no próximo mês em Nairobi (Quénia) sob os auspícios das Nações Unidas.

Aliás, Londres pretende liderar a nível internacional a luta contra as alterações climáticas e anunciou hoje que escolheu o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore para conselheiro destas questões.

Al Gore foi adversário do actual presidente George W. Bush na corrida eleitoral de 2000 e tornou-se recentemente defensor acérrimo das questões ambientais, tendo lançado o filme sobre aquecimento global intitulado “Uma Verdade Inconveniente”.

De acordo com o documento apresentado pelo governo britânico, Portugal, Espanha e França estão entre os países europeus mais afectados pelo sobreaqucimento.

“O Mediterrâneo vai assistir a um aumento do stress hídrico, ondas de calor e fogos florestais. Portugal, Espanha e Itália serão os países mais afectados. Isto poderá levar a uma mudança para Norte no que respeita ao turismo de Verão, agricultura e ecossistemas”, refere o texto.

O Norte da Europa poderá registar um aumento na produtividade agrícola (com a adaptação à subida das temperaturas) e menos necessidade de gastar energia no Inverno.

Mas os Verões mais quentes vão aumentar a necessidade de ar condicionado.

O derretimento das neves alpinas e padrões de precipitação mais extremos podem aumentar a frequências das cheias nas principais bacias hidrográficas como as do Danúbio, Reno e Ródano.

O turismo de Inverno será gravemente afectado.

O estudo prevê também que muitos países costeiros em toda a Europa seja m vulneráveis à subida do nível do mar.

Num comentário ao estudo, a associação ambientalista Quercus defendeu hoje que Portugal deve também avaliar os custos associados às alterações climáticas, sublinhando que sai mais caro não fazer nada do que reduzir as emissões.

“Temos de começar a trabalhar a sério na avaliação dos custos das alterações climáticas. O relatório SIAM (Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação), relativo às alterações climáticas em Portugal, já indica o que se vai passar. Agora é preciso saber quanto é que isso vai custar”, disse à Lusa Francisco Ferreira da Direcção Nacional da Quercus.

Fonte: Agroportal

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