Alterações Climáticas: ONU analisa impacto dos biocombustíveis na produção de alimentos

O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas vai analisar pela primeira vez o impacto dos biocombustíveis na produção mundial de alimentos.

A análise fará parte de um relatório especial sobre energias renováveis que uma centena de cientistas de 48 países do IPCC começou a redigir, na primeira reunião de trabalho, que decorre esta semana no Brasil.

“O relatório dirá quais são os potenciais impactos dos biocombustíveis na produção mundial de alimentos”, disse à agência Lusa a cientista brasileira Thelma Krug, integrante do Conselho do IPCC.

“Haverá o reconhecimento científico de que há formas e formas de produzir biocombustíveis e que essas formas podem ser sustentáveis”, afirmou.

A utilização de áreas agrícolas para produção de biocombustíveis, em substituição dos alimentos, chegou a ser apontada, no ano passado, como responsável pelo aumento mundial dos preços de géneros alimentícios.

O encontro no Brasil é o primeiro de um total de quatro reuniões dos cientistas do IPCC para elaboração do relatório “Fontes Renováveis de Energia e Mitigação das Alterações Climáticas”.

A conclusão do estudo, cujo objectivo começou a ser elaborado há um ano, na Alemanha, está prevista para o segundo semestre de 2010.

Thelma Krug salientou que a realização desse primeiro encontro no Brasil dará uma oportunidade aos cientistas de todo o mundo de conhecer melhor a experiência brasileira na produção de etanol a partir de cana-de-açúcar.

“O Brasil tem mostrado que não é preciso diminuir a produção de alimentos nem desflorestar a Amazónia para produzir biocombustíveis e que o aumento da produtividade diminui a necessidade de ocupação de áreas agrícolas”, afirmou.

“O relatório terá a oportunidade de iluminar, de ir a fundo nessa discussão, buscando conhecer melhor as diferentes formas de produção de biocombustíveis”, disse Krug.

Na área dos combustíveis limpos, os cientistas discutirão também a produção de energia a partir de marés, biomassa, eólica, solar, geotérmica, dentre outros.

O relatório incluirá um total de quatro capítulos, com a inclusão de temas como desenvolvimento urbano, eficiência energética e outros assuntos científicos relacionados.

O documento servirá de parâmetro para que dirigentes mundiais tomem medidas para diminuição das emissões de gases, responsáveis pelo efeito de estufa que provoca o aquecimento global, salientou a cientista.

“Será um esforço hercúleo conseguir estabilizar as emissões de gases num nível que cause o menor impacto possível, o que nos deixa entusiasmados com a responsabilidade de elaborar esse relatório”, disse Krug.

Criado em 1988, o IPCC já contou com a participação de mais de dois mil especialistas nas diferentes publicações feitas sobre o fenómeno das alterações climáticas.

O objectivo é avaliar a produção científica sobre as alterações climáticas, destacar os impactos ambientais socioeconómicos deste fenómeno e encontrar estratégias para limitar as emissões dos gases responsáveis pelo efeito de estufa.

A primeira reunião do IPCC, que decorre no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, a cerca de 100 quilómetros de São Paulo, deverá terminar sexta-feira.

Fonte: Agroportal

Veja também

Consumo de café aumenta resposta ao tratamento da hepatite C

Os pacientes com hepatite C avançada e com doença hepática crónica que receberam interferão peguilado …