A alta dos preços do leite que se vem sentindo desde o início do ano, apenas beneficiou moderadamente os produtores, afectados pelo aumento dos custos com os cereais e incapazer de aumentar rapidamente as suas produções, referem os responsáveis da fileira láctea em França.
Pela primeira vez em cinco anos, o preço do leite pago ao produtor tem vindo a aumentar desde o início de 2007 e essa tendência tende a acelerar. Para o quarto trimestre, a interprofissão tem em cima da mesa propostas para um aumento de pelo menos oito por cento em comparação com igual período de 2006, aumento que pelo menos em parte deverá ser repercutido ao consumidor.
“Este parece ser o tempo do proço ao produtor melhorar”, considera André Souteyrat, repsonsável da Câmara da Agricultura da Bretanha, a primeira região produtora de leite em França. Na sua opinião, esta subida mais não faz do que compensar o aumento dos custos com os cereais utilizados na alimentação dos bovinos. “Apenas as explorações que são auto-suficientes ao nível da alimentação animal, estarão, nesta altura, a ter resultados verdadeiramente positivos”.
Mas a Bretanha, que representa um quinto da produção francesa de leite, onde se fabrica metade do emmental e um terço do leite em pó, é altamente deifictária ao nível da produção de cereais. “O impacto da subida do preço do leite para os agricultores é muito limitada”, afirma também Marcel Denieul, responsável pela área do leite na FRSEA-Ouest, que recorda que a fileira estava imersa numa profunda crise há apenas dois anos. Na sua opinião, apesar da subida dos preços, “os produtores ponderam se não será melhor parar com a produção de leite e optar pela produção de cereais, mais rentável, como é o caso do milho ou da colza”.
Os produtores não têm capacidade para aumentar de forma imediata a sua produção leiteira para aproveitar os preços mais favoráveis, explica Denieul. “O efectivo leiteiro tem vindo a diminuir à razão de dois por cento em cada ano desde 2000. Ora, é necessário um intervalo de pelo menos dois anos para colocar em produção novas vacas leiteiras. Hoje em dia, os preços disparam mas, e daqui a dois anos?”. Aquele responsável aponta também o dedo para os “constrangimentos ambientais”. Na sua opinião, os limites impostos pela legislação Nitratos equivale à implementação de “novas quotas” aos produtores.
Em Laval, na sede da Lactalis, o principal grupo lácteo francês, especializado no fabrico de queijos e de produtos lácteos frescos, sublinha-se a incerteza sobre a evolução dos preços do leite e médio prazo. “Estamos num ciclo altista até, pelo menos, meados de 2008. Depois disso, é necessário ser extremamente prudente”, explica Luc Morélon, director de comunicação do grupo. “Verifica-se um aumento da procura do leite e seus derivados em todo o mundo. Essa é uma boa notícia para os produtores. Seremos capazes de lhe garantir rendimentos regulares e significativos”, avança. “Mas os mercados são também cada vez menos estáveis, com fortes subidas e quebras significativas. Esta é uma das consequências das reformas da Política Agrícola comunitária”.
“A grande ideia da Comissão Europeia passa por suprimir as quotas por forma a permitir aos produtores a capacidade de responder aos sinais do mercado”, explica Marcel Denieul. “Quando as cotações descem, temos sempre a possibilidade de mandar as vacas para abate, mas quando as mesmas sobem, não nos conseguimos adaptar com a brevidade necessária!”. Para Anré Souteyrat, “uma regulação privada dos mercados deverá substituir a PAC que estamos em vias de desmantelar, Serão necessários novos instrumentos de gestão de riscos para os os agricultores, instrumentos que estão ainda por construir”.
Fonte: Anil
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