Alimentos mais caros com novo recorde do preço do trigo

A cotação do trigo atingiu os 10,33 dólares (cerca de sete euros) por alqueire, o que determinará aumentos nos produtos em cuja composição entra. A razão próxima para esta escalada do preço do trigo, neste caso reportado aos contratos de futuros para venda em Março, é a quebra substancial dos stocks do cereal no Canadá, que é o segundo maior exportador mundial, logo a seguir aos Estados Unidos da América.

De acordo com a agência Reuters, as reservas de trigo no Canadá desceram para 15 milhões de toneladas, em Dezembro de 2007, contra os 21,6 milhões de toneladas que constavam dos registos um ano antes. As razões apontadas para esta quebra são as condições climatéricas, que ao longo do ano passado foram pouco favoráveis ao desenvolvimento da cultura agrícola nas searas canadianas.

O preço do trigo na bolsa mercantil de Chicago duplicou no espaço de seis meses. Em Julho de 2007, estava pouco acima dos cinco dólares. Agora, a cotação subiu 30 cêntimos, valor máximo admitido para uma sessão apenas. Este aumento irá ter consequências no segmento do consumo, uma vez que o trigo é muito utilizado na elaboração de diversos produtos alimentares, nomeadamente os da indústria de panificação.

O mesmo acontece com o milho, que ontem registou, também, uma valorização de 1,3 por cento na plataforma de negociação de Chicago. No caso deste cereal, as razões para o aumento da cotação têm a ver com uma pressão muito mais forte sobre a procura. O aumento do consumo em países como a China e a Índia e o interesse dos produtores de biocombustíveis contribui para a escassez do cereal e, consequentemente, para o aumento do seu valor no mercado internacional.

O aumento do preço do milho tem como resultado directo um incremento do valor dos alimentos em cuja composição entra. Mas acaba também por influenciar o preço do leite e da carne, especialmente de bovino, que se alimenta de forragem de milho e de rações onde entra este cereal, e do leite. Em Portugal, os últimos dados apontam para um aumento de cerca de 15 por cento no preço do leite nos últimos meses.

Estes dados poderão significar, ainda, um novo argumento para o BCE recusar descidas das taxas de juro, uma vez que esta onda de aumentos constitui, já de si, uma forte pressão sobre a inflação – que no caso da Europa está bem acima do patamar de 2 por cento definido pela autoridade monetária.

Preço dos cereais pode arruinar bovinicultores
Os produtores de carne alertam para o risco de falências no sector. O aumento do preço dos cereais que servem de alimento ao gado está a tornar-se um problema. O alerta é do presidente da Federação Portuguesa de Associações de Bovinicultores. Francisco Carolino fala do “risco de falência” do sector por causa do custo das rações, numa altura em que o preço do trigo e do milho nos mercados internacionais continua a bater recordes. A consequência imediata, afirma Francisco Carolino, passa pelo aumento do preço da carne, agravado pelas “dificuldades de escoamento” da produção por falta de poder de compra dos portugueses.

Posição diferente têm os produtores de cereais. Segundo estes “o sector está a viver um momento bom”. O preço é agora mais justo, diz o presidente da Associação Nacional de Produtores de Cereais. Bernardo Albino lembra, no entanto, que “a especulação não é boa” porque aumenta o risco. De qualquer forma, ao contrário das últimas três décadas, em que o sector dos cereais “perdeu dinheiro”, devido a falta de valorização por parte dos sucessivos governos, já “se percebeu que o sector cerealífero é estratégico”.

Pão pode voltar a aumentar
Os industriais da panificação admitem que o preço do pão poderá voltar a aumentar em Fevereiro, devido à subida do preço do trigo que tem batido recordes. O presidente da Associação do Comércio e da Indústria da Panificação diz que é impossível manter os actuais preços perante a crise dos cereais.

Carlos Santos disse que, com este cenário, é impossível manter os actuais preços. «É lógico que não conseguimos fazer milagres. Se nos aumentam a matéria-prima, temos que fazer a correcção de preços», argumentou. «Há quinze dias sofremos um aumento de cerca de quatro cêntimos por quilo. Com este novo aumento, é provável que, dentro de dez a quinze dias, o preço do pão volte a estar mais caro».
Pedro Queirós, da Federação das Indústrias Agro-alimentares, admitiu que, caso a escalada nos preços dos cereais se mantenha, outros produtos como o leite, massas, arroz, ovos e carne também vão sofrer aumentos.

Fonte: Anil

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