Alimentação: Sopa “indispensável” à mesa dos portugueses, mas vai-se comer menos

A sopa ainda é considerada pelos portugueses como um alimento indispensável, mas a tendência é para ser cada vez menos consumida, segundo um estudo da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ex-APSA) recentemente divulgado.

O estudo identificou três grupos consoante o seu comportamento face à alimentação: os pouco ou nada preocupados (homens e mulheres de classe média-baixa e jovens com menos de 16 anos), os preocupados (sobretudo mulheres de classe média ou média alta e raparigas com mais de 16 anos) e os naturalistas (participantes entre os 50-65 anos, sobretudo mulheres).

A sopa foi considerada por todos os grupos como um alimento indispensável, sobretudo para dar aos filhos.

Funciona ainda como complemento das refeições principais e para alguns, sobretudo as mulheres, constitui elemento essencial numa refeição rápida e leve ou mesmo uma refeição em si.

Mas, no futuro, a sopa deverá ser cada vez menos consumida, porque “dá trabalho a fazer” e exige algum tempo.

Os portugueses valorizam cada vez mais a rapidez e o que é prático, alegando que “têm uma vida muito agitada” ou “têm pouco tempo para a culinária”.

A carne foi considerada um alimento de eleição para adultos e crianças e o seu consumo é generalizado.

O mesmo não acontece com o peixe que é consumido com muito menos frequência por ser “mais caro”, “mais difícil de preparar”, “satisfazer menos” e não agradar a todas as crianças.

O preço influencia a escolha dos alimentos, mas depende do grau de valorização que se atribui a cada categoria.

Iogurtes, enlatados e conservas, massa, arroz, óleo ou água são alguns dos produtos em que a escolha é decididamente condicionada pelo mais barato.

Já no caso dos produtos frescos como a carne, peixe, verduras, legumes, fruta e pão, os consumidores tendem a preferir a qualidade e a desvalorizar o factor preço.

Muitos dos participantes responderam que estariam dispostos a pagar 15 a 20 por cento mais por alimentos que lhes dêem mais confiança.

No geral, os consumidores associam os riscos alimentares às doenças relacionadas com maus hábitos, como o colesterol, a obesidade ou a diabetes.

Mas pontualmente, os riscos surgem associados a doenças que decorrem de alimentos considerados pouco seguros, caso da gripe das aves, salmonelas, doença das vacas loucas (BSE), hormonas ou brucelose.

A avaliação do grau de gravidade é condicionada por vários aspectos, como o grau de conhecimento sobre os riscos, o nível de sensacionalismo transmitido pelos meios de comunicação social ou o efeito produzido (doença grave ou morte).

As doenças consideradas mais graves foram a BSE e a gripe das aves, embora esta não seja considerada ainda um risco relevante para deixar de consumir aves “porque ainda não foi detectado nenhum caso em Portugal” e “ainda não foi provado que o vírus se transmite pelo consumo de aves”.

No futuro, os consumidores acreditam que a alimentação vai piorar e ser menos saudável.

Deverá crescer a procura e o consumo dos congelados, pré-cozinhados, saladas e legumes pré-lavados, produtos pré-embalados que vão ao microondas e vegetais congelados.

Também vai aumentar o consumo de barras de cereais e deverão surgir novos conceitos de “fast-food”.

O consumo de iogurtes deve manter-se, mas vai diminuir relativamente a alguns alimentos, como a sopa, o peixe e os legumes e vegetais frescos.

O estudo foi realizado entre 11 e 23 de Novembro com base num método qualitativo.

Fonte: Agroportal

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