Alimentação: Portugueses ignoram informação nos rótulos dos produtos

O consumidor pode escolher alimentos que contribuam para uma alimentação mais saudável através das novas regras de rotulagem e publicidade sobre alegações nutricionais, mas em Portugal o rótulo dos produtos é ainda ignorado, alertou hoje uma especialista.

As regras que definem as alegações nutricionais e de saúde nos alimentos mudaram recentemente, podendo agora as marcas alegar que os seus produtos “contêm” ou são “ricos em” determinado nutriente considerado benéfico para a saúde.

Com estas novas regras “os consumidores podem escolher aquilo que pretendem comer, tendo a garantia de que aquela alegação não é enganosa”, afirmou Bela Franchini, da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação (FCNA) da Universidade do Porto.

“As alegações estão padronizadas e as pessoas podem confiar nos critérios”, sustentou, acrescentando que cabe às empresas produtoras decidir se adoptam estas alegações, sabendo, contudo, que se o fizerem não podem fugir à regulamentação europeia”, sob pena de serem punidas.

A fiscalização destas regras é feita por uma autoridade nacional que, na sua opinião, deverá ser a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Contudo, a especialista referiu que o problema é que “o consumidor português não está ainda interessado em saber os ingredientes que ingere, não consultando a tabela do valor nutritivo do produto”.

Afirmando que beber “um sumo, um néctar ou um refrigerante” não é a mesma coisa quando se fala em alimentação saudável, Bela Franchini aconselhou os portugueses a lerem os rótulos das embalagens.

Apontou como exemplo os refrigerantes com extractos de chá, cujas marcas e publicidade que lhes estão associadas podem levar o consumidor a acreditar que está apenas a consumir um chá que não faz tão mal à saúde como um refrigerante.

“É fundamental que o consumidor veja a denominação de cada produto, que na maioria dos casos aparece escrita em letras pequenas e num local escondido do rótulo”, salientou.

Também as alegações de saúde já existem, mas não estão ainda definidos os seus critérios em Portugal, sendo assim impossível afirmar, por exemplo, que determinado produto lácteo “contém cálcio que ajuda a combater a osteoporose”.

“No Brasil e nos Estados Unidos, por exemplo, estas alegações estão já definidas”, exemplificou.

A adopção de alegações nutricionais por parte das marcas já se começa a ver em bolachas “ricas em fibra”, iogurtes “com omega3” ou “sem colesterol” e outros produtos como manteigas, queijos e leite.

Fonte: Agroportal

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