Uma empresa alentejana, a Fábrica de Alimentos Guadiana (Moura), concebeu um novo molho para temperar saladas que desfaz o mito de que o azeite e o vinagre não se misturam, tendo despertado já o interesse de importadores da Líbia.
“Toda a gente pensa que o azeite e o vinagre se separam e que o azeite vem sempre ao de cima. Conseguimos iludir ou acabar com esse mito”, congratula-se à agência Lusa Francisco Mendes, proprietário da empresa familiar, enquanto mostra o novo produto.
A Fábrica de Alimentos Guadiana, que em 2007 teve um volume de facturação de 1,2 milhões de euros, existe desde 1980 e fabrica molhos, possuindo cerca de seis dezenas de referências de produtos, entre maionese, molhos para fondue, ketchup, mostarda, molho inglês, piripiri, pickles e tremoços.
A empresa, com duas dezenas de funcionários, é uma das principais fornecedoras nacionais de molhos para os grupos económicos que detêm hipermercados (fabrica as suas “marcas brancas”), produz molhos para outras empresas e possui também marcas próprias, como a “Dona Sarah”, inspirada no nome da neta de Francisco Mendes.
Depois de outra inovação concretizada há uns anos, ao criar uma maionese a partir do tremoço, sem levar ovos, surgiu agora o molho para tempero de saladas, que os responsáveis da empresa, orgulhando-se por tentarem sempre conceber novos produtos, garantem ser “único no mundo”.
Composto por azeite Virgem Extra de Moura, agregado de vinagre e ervas aromáticas de características mediterrânicas, o molho deverá ser lançado no mercado brevemente, mas foi apresentado pela primeira vez na semana passada, durante a Alimentaria – Salão Internacional da Alimentação e Bebidas, em Barcelona (Espanha).
A inovação, explica à Lusa a filha do proprietário e outra das responsáveis da fábrica, Fátima Piçarra, é que o molho junta o azeite e o vinagre, ficando o azeite “encapsulado em pequenas ‘pérolas’ em suspensão ao longo da garrafa”, com os restantes ingredientes.
O produto, com “um toque alentejano” graças “ao azeite e às ervas aromáticas, que são orégãos”, explica, levou cerca de dois anos a desenvolver.
A ideia “nasceu” de uma incursão de Francisco Mendes a uma grande superfície para “espreitar” os produtos da concorrência: “A melhor coisa que podem dar ao meu pai é visitar um hipermercado”, denuncia a filha.
Numa dessas visitas, conta Fátima, o seu pai viu um molho para saladas da concorrência “com aspecto horrível e com o azeite todo ao de cima” e “meteu na cabeça que conseguia fazer melhor”.
Regressado à fábrica, a primeira do género em Portugal a ter sido certificada em Segurança Alimentar, pôs em marcha o processo de desenvolvimento do produto, cujo resultado final foi apresentado em Barcelona.
Na Alimentaria, a fábrica de Moura esteve presente, com outras empresas alentejanas, numa iniciativa da Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL), lamentando Francisco Mendes que, entre os 155 países participantes, “Portugal não tenha tido qualquer stand”.
O certame serviu para contactos, não só com os dois únicos grupos económicos portugueses para os quais a Alimentos Guadiana ainda não escoa a produção, mas também com empresas distribuidoras da Líbia, norte de África e França.
“O novo produto causou muita sensação porque as pessoas ficaram estupefactas por o azeite e o vinagre não se separarem”, afiança Fátima Piçarra, corroborada pelo pai: “Até empresas importadoras da Líbia ficaram interessadas”.
Actualmente, a empresa está a desenvolver esses contactos, “em termos de preços, condições de pagamento e quantidades”, e Francisco Mendes encara com expectativa a possível exportação do produto, pensando já como adaptá-lo ao cliente: “Se for para a Líbia, temos que fazer outro rótulo, em inglês e árabe”.
Quanto ao segredo do negócio, nomeadamente a fórmula para alcançar as “pérolas de azeite”, está “fechado a sete chaves”, responde prontamente Fátima, quando questionada pela Lusa, relatando que uma cliente antiga também lhes perguntou o mesmo.
“Em jeito de brincadeira, dissemos-lhe que, através de uma seringa, deitamos o azeite às gotinhas e, por isso, é que vai ficando espalhado em ‘pérolas'”, repete, abrindo um sorriso e garantindo que, no que toca à criação de novos produtos, só faz parte do “painel de provas”.
Fonte: Agroportal
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