Preços altos nos cereais devem marca a próxima década e esta tendência provoca um efeito dominó noutros importantes produtos alimentares. O bater de asas de uma borboleta em Tóquio provoca um terramoto em Nova Iorque.
Esta imagem usada para ilustrar a Teoria do Caos, uma das disposições científicas mais difundidas na cultura popular, pode também servir para explicar porque motivo o aumento do preço dos cereais leva à inflação de outros bens alimentares como a carne, o leite ou os ovos. Mas neste caso, é um cêntimo em Chicago que faz com que a posta mirandesa fique mais cara.
Há alguns dias deu-se um sobressalto. O preço do trigo, no mercado de Chicago, havia atingido o preço mais alto de sempre e as notícias davam conta que vários produtos alimentares iriam ficar mais caros, como consequência.
Contudo, o aumento do preço do trigo não é de agora e não vai terminar tão cedo. As últimas estimativas da FAO apontam para um crescimento de 83 por cento no preço do trigo, entre Janeiro de 2008 e o mesmo mês do ano transacto.
Aquela organização ligada à ONU estima que os preços altos dos cereais se mantenham altos, este ano, apesar do aumento de produção, uma tendência que deverá prolongar-se na próxima década. O Ministro da Agricultura já deixou o aviso, de forma aliás pouco subtil: os consumidores estão ‘mal habituados’ aos preços baixos.
Mas como se alastra a inflação dos cereais a outros produtos alimentares e o que podem esperar os consumidores portugueses?
No pão, não é preciso uma teoria matemática para dar a explicação, já que os cereais são a matéria-prima base da produção. A Associação do Comércio e Indústria da Panificação antevê um aumento de preços até quinze por cento, já em Fevereiro e Março, como consequência do aumento do preço dos cereais.
Na carne, também haverá tendência para subida dos preços. Porcos, vacas e galinhas alimentam-se de rações confeccionadas a partir de cereais. O aumento do preço destas matérias-primas leva ao encarecimento da comida, o que por sua vez aumenta os custos de produção dos criadores e gera uma tendência inflacionista.
De acordo com Francisco Rasteiro, da Associação Nacional dos Industriais de Carne, o aumento do preço das rações não se reflectiu nos preços da carne, porque ainda há excedentes. Contudo, a pressão inflacionista far-se-á sentir a partir a partir de Abril, até porque as empresas já têm as suas margens esticadas, não podendo acomodar mais os custos de produção.
De acordo com Jaime Piçarra, da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais, a situação actual é “dramática e exige medidas urgentes”, Este responsável aponta para um aumento dos preços dos cereais entre 60 e 70 por cento, em doze meses. No mesmo período, avança, os alimentos compostos aumentaram 25 por cento, o que significa que “a indústria tem incorporado as perdas” e os aumentos “ainda não se fizeram sentir nos consumidores”.
E tal como carne, nas indústrias dos ovos e do leite e derivados estão também expostos ao aumento dos cereais, via rações. Pedro Pimentel, secretário geral da ANIL, afirma que nos próximos meses estamos perante a época de produção leiteira mais fortes, pelo que os preços do leite não deverão subir. A prazo, contudo, o responsável admite aumentos “muito gravosos”, devido à subida dos custos de produção, se, entretanto, a indústria das rações não encontrar alternativas mais baratas para produção.
Nos óleos, a questão é diferente. À excepção do óleo de milho, com fraca expressão no mercado, a esmagadora maioria dos produtos para fritar não vem de cereais: a soja e o girassol são os principais ‘ingredientes’. Contudo, a escalada da procura e preços dos cereais atrai os agricultores. Com uma maior aposta nos cereais, a área de cultivo de soja ou gorassol diminui, e com menos oferta os preços aumentam, estimando-se que o preços dos óleos tenha duplicado nos últimos anos.
Fonte: Anil
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