Algarve: Quase 2% solo agrícola convertido noutros usos

Quase dois por cento de solos agrícolas do Algarve foram convertidos em superfícies artificiais entre 1990 e 2000, uma das maiores percentagens a nível europeu, segundo um relatório que relaciona esta alteração com o crescimento do turismo.

A conversão de solos agrícolas em superfícies artificiais entre 1990 e 2000 variou entre os 0,3 por cento de França e os 2,9 por cento da Holanda.

As maiores percentagens de conversão de solos agrícolas verificaram-se junto de grandes zonas urbanas, como Madrid (seis por cento) e regiões costeiras como Alicante (3,6 por cento), Algarve (1,8 por cento) e Castellon (1,6 por cento).

“Estas alterações estão provavelmente relacionadas com o desenvolvimento do turismo”, refere um relatório da Agência Europeia de Ambiente que cruza e analisa 35 indicadores agro-ambientais designados como IRENA (Indicadores Relativos à Integração das Preocupações Ambientais nas Políticas Agrícolas).

A área agrícola usada na Europa diminuiu 2,5 por cento entre 1990 e 2000, afectando sobretudo os prados e campos de cereais.

O número de cabeças de gado manteve-se estável durante este período, mas as tendências variam de acordo com o tipo de gado e as regiões.

Nalgumas regiões, a densidade de gado aumentou mais de 10 por cento, sobretudo devido ao crescimento do número de suínos na Dinamarca, norte da Alemanha e nordeste de Espanha.

A área ocupada por explorações agrícolas especializadas aumentou quatro por cento nos últimos 15 anos, enquanto a área gerida por quintas não especializadas diminuiu 18 por cento.

A área ocupada por explorações dedicadas à agro-pecuária orgânica subiu dos 1,8 por cento de 1998 para 3,7 por cento em 2002.

Os sistemas agrícolas extensivos, considerados importantes para manter a diversidade biológica e da paisagem, incluindo os sítios incluídos na Rede Natura 2000 (zonas de protecção especial), estão ameaçados pela intensificação agrícola e pelo abandono.

A marginalização – devido às condições económicas e demográficas, sobretudo devido à idade dos agricultores – surge como um risco na Irlanda, Sul de Portugal e grande parte de Itália.

As zonas agrícolas com alto valor natural concentram-se essencialmente na região mediterrânica, regiões altas do Reino Unido e Irlanda e zonas montanhosas da Escandinávia.

Segundo estimativas recentes, 17 por cento dos sítios incluídos na Rede Natura dependem da continuação das actividades agrícolas extensivas. Em Portugal, essa percentagem é superior a 25 por cento, o valor mais alto da União Europeia.

A área irrigada na União Europeia aumentou mais de um milhão de hectares entre 1990 e 2000, passando de 12,3 para 13,8 milhões de hectares (mais 12 por cento).

Em França, Grécia e Espanha, a área irrigada aumentou 29 por cento durante este período.

Num total de 332 regiões analisadas, 41 onde se regista maior consumo de água para fins agrícolas (mais de 500 milhões de metros cúbicos/ano) localizam-se no Sul da Europa.

No norte da Europa a percentagem de água usada na agricultura ronda os sete por cento, enquanto no Sul esse valor é de 50 por cento.

O uso de fertilizantes minerais decresceu entre 1990 e 2001: o consumo de compostos azotados diminuiu 12 por cento, enquanto os fosfatos caíram 35 por cento.

No entanto, entre 1992 e 1999, a quantidade de pesticidas usados na agricultura cresceu 20 por cento.

Portugal, França, Itália e Grécia estão acima da média europeia no que diz respeito à utilização destes produtos e de fungicidas, sobretudo devido aos sulfatos usados nas vinhas.

Fonte: Agroportal

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