Produtores algarvios estão preocupados com a falta de água para regar a agricultura devido ao aumento de furos no aquífero Querença-Silves, mas as Águas do Algarve garantiram à Lusa que não há esse risco.
A seca no Algarve e a abertura de novos furos no aquífero de Querença-Silves levou as associações de produtores hortofrutícolas a manifestarem preocupação com o risco de salinização do lençol de água subterrâneo e com a provável falta de água para regar os produtos agrícolas.
“Ainda não houve falta de água [no aquífero], mas já houve descidas ao nível freático”, disse à Agência Lusa João Maia, da Cooperativa de Hortofruticultores de São Bartolomeu de Messines (Frutalgarve).
Ao abrirem-se mais furos “vai provocar-se o abaixamento nos níveis do aquífero” e os furos destinados para a rega dos pomares deixam de ter tanta água”, explicou o produtor, observando que numa situação extrema a descida pode ser tanta que nem dê para retirar água nenhuma.
Artur Ribeiro, administrador das Águas do Algarve, empresa responsável pelo abastecimento público, afirmou à Lusa, que a actual execução dos furos não colocará em risco a rega da agricultura e adiantou que só seriam activados que autorizações governamentais.
“Há um compromisso ao abrigo da Comissão da Seca” – a que pertence a CCDR, Instituto de Meteorologia e Instituto da água, entre outros, asseverou Artur Ribeiro, referindo que a empresa Águas do Algarve só activará os furos quando o governo autorizar e quando o aquífero tiver sido estudado.
Preocupado com os cerca de 30 mil furos clandestinos identificados e que ninguém sabe qual a quantidade de água daí retirada, Artur Ribeiro, questionou o facto de nesses casos ninguém se preocupar com o assunto.
Para o abastecimento público temos de cumprir com tudo [legislação], mas nos furos clandestinos não se cumpre com nada e tira-se muita água”, salientou.
As preocupações dos agricultores e produtores algarvios foi levada ao Parlamento pelo deputado comunista José Soeiro, que, pediu ao governo, através do Ministério do Ambiente, que esclareça como vai ser feita a preservação do aquífero.
Está o Governo a acompanhar a abertura dos furos no aquífero Querença-Silves onde se planeia “extrair caudais de água da ordem de 500 litros por segundo” foi uma das questões apresentadas pelo deputado do PCP.
Saber como o Governo garantirá que os furos no Algarve não irão comprometer os interesses das explorações agrícolas existentes” foi outra pergunta deixada na Assembleia da República por José Soeiro.
Fonte: Lusa
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