No Algarve, os morangos luxuosos que nascem não na terra, mas em prateleiras com água, escapam à crise económica mundial, porque os agricultores conseguem exportar toda a produção para o norte da Europa.
A principal causa do sucesso deste negócio está no «elevado» padrão de qualidade da fruta produzida e que é apreciada por pessoas que não se importam de pagar mais caro pelo pequeno fruto vermelho, explicou à Agência Lusa Humberto Teixeira, produtor de morangos no Algarve.
A existência da cooperativa Madrefrutas, uma Organização Produtora que congrega a fruta de toda a região, e na empresa portuguesa «Berryport», que fornece aos produtores os morangueiros e garante o escoamento dos pequenos frutos vermelhos mesmo antes de terem nascido, são outros trunfos para o bom escoamento dos morangos.
Holanda, Noruega, Suécia, Bélgica, França ou Inglaterra são alguns dos países consumidores dos morangos algarvios que crescem pelo método da hidroponia, ou seja, sem solo, em prateleiras elevadas da terra, e cuja alimentação tem por base a água com nutrientes e substratos de casca de pinheiro ou fibra de coco.
«Ainda não sentimos a crise, porque temos garantida a venda dos morangos e framboesas. Quando vamos produzir a fruta, temos todo o escoamento vendido aos países nórdicos», explicaram à Lusa Pedro Vaquinhas e Célia Bento, um casal de engenheiros agrónomos.
Os dois jovens agricultores, que se candidataram ao programa Programa de Desenvolvimento Rural do Continente (Proder), investiram um milhão e 200 mil euros na criação da empresa «Agrivabe» para produzir pequenos frutos vermelhos e estimam conseguir produzir até Maio cerca de 70 toneladas de morangos.
O agricultores explica que candidataram-se «ao IV Quadro Comunitário, como jovem agricultor», e obtiveram aprovação em Novembro, «precisamente por termos a garantia de escoamento dos produtos. Estamos agora à espera que nos comecem a pagar os fundos».
Na campanha de 2009, que termina no fim de Maio, o Algarve vai produzir cerca de 900 toneladas de morangos por hidroponia, das quais, apenas 25 por cento é para consumo interno, nomeadamente distribuído através do grupo económico da Sonae ou pelo Mercado Abastecedor da Região de Lisboa.
Os restantes 75 por cento da produção regional são guardados em caixinhas transparentes onde são depositados 400 gramas em morangos à unidade e transportados em arcas frigoríficas para o norte da Europa.
Depois de empacotados os morangos de cor vermelho intenso seguem para os supermercados internacionais com a indicação na caixa a dizer «strawberries class 1», ou seja morangos de luxo.
A quantidade de vitaminas, açúcar, fibra, gordura ou proteína por cada 100 gramas de morangos e algumas receitas gastronómicas feitas com aquele fruto vermelho são outras inscrições que seguem nas caixas para o norte da Europa, ajudando desta forma a dar uma lufada de ar fresco à economia agrícola algarvia.
O Algarve foi a primeira região no país a desenvolver culturas hidropónicas, um método produtivo onde se consegue alcançar acréscimos de produção de 20 a 40 por cento comparativamente às culturas em solo.
Fonte: Confagri
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