A produção de cereja deverá triplicar nos próximos anos em Alfândega da Fé e permitir que este produto regional conquiste novos mercados e ganhe maior dimensão económica, anunciou ontem a cooperativa agrícola local.
O concelho, que se tornou há meio século no centro de produção de cereja na agricultura transmontana, tem a área de pomares reduzida a um terço, mas com capacidade de em poucos anos se aproximar das 300 toneladas de antigamente.
Segundo explicou à Lusa o presidente da cooperativa agrícola, Eduardo Tavares, «dentro de quatro ou cinco anos» a renovação de pomares, que se iniciou há uma década, começará a dar frutos com plantações mais modernas em regime intensivo e de regadio. «Podemos triplicar a produção», passando das actuais 80 toneladas para mais de 200, estima.
O único senão com que a produção se debate são as condições climáticas adversas que também este ano fizeram estragos, reduzindo para cerca de metade a produção e atrasando em duas semanas a apanha, que só agora começou.
Mas, segundo o responsável, o escoamento do produto está assegurado, para os mercados abastecedores do Porto, localmente e na feira anual da cereja, que decorre entre 10 e 13 de Junho, em Alfândega da Fé.
A cooperativa espera ter nos próximos anos condições de expandir o negócio e chegar a outros segmentes de mercado, nomeadamente às grandes superfícies comerciais, com as quais ainda não consegue negociar, por não haver cereja em quantidade suficiente.
A cereja de Alfândega da Fé deverá chegar este ano ao consumidor a um preço por quilo de «dois/três euros», enquanto o produtor receberá em média cerca de metade, aproximadamente um euro e meio.
A cooperativa local é a maior produtora de cereja do concelho, tendo a maior mancha de pomares, embora este não seja o produto agrícola com maior peso no seu negócio, lugar ocupado pelo azeite, que é o principal motor económico.
Alfândega da Fé é um pequeno produtor de cereja comparado com outras zonas, inclusive do país, mas soube tirar partido da fama que ganhou à 50 anos quando aquele que ficou conhecido como o pai da agricultura trasmontana, Camilo Mendonça, fez do concelho o centro da produção deste produto em Trás-os-Montes.
Desde então, Alfândega da Fé adoptou a cereja como imagem de marca, sobretudo turística, e tem na feira/festa de Junho o principal ponto de promoção e negócio deste produto.
Fonte: Confagri
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal