O vírus H5N1, a variante mais patogénica da gripe das aves, foi detectado pela primeira vez em aves domésticas na Alemanha, perto de Leipzig (leste), confirmou hoje o Ministério dos Assuntos Sociais da Saxónia.
“De facto, temos na Saxónia um caso de gripe das aves do tipo H5N1”, disse hoje aos jornalistas, em Dresden, um porta-voz do Ministério.
Confirma-se assim uma suspeita que tinha surgido na maior exploração avícola da Saxónia, em Wermsdorf, perto de Leipzig (leste), onde já foram abatidos preventivamente 700 perus, disse hoje um responsável das autoridades sanitárias locais.
Hoje à tarde está previsto abater mais 8.500 perus, com recurso a dióxido de carbono, que será introduzido nos estábulos.
Seguir-se-á o abate de mais 3.500 galinhas e gansos da mesma empresa.
Os gansos serão abatidos com uma aparelhagem de electro-choques que será transportada da Turíngia, a região vizinha da Saxónia, adiantou a mesma fonte.
Em torno da exploração foi erguida uma zona de acesso proibido com três quilómetros, e uma área de observação com um perímetro de 10 quilómetros.
A partir de quinta-feira começará a funcionar um gabinete de crise no Ministério dos Assuntos Sociais da Saxónia, em Dresden.
O Instituto Federal de Avaliação de Riscos já tranquilizou os consumidores, afirmando, em comunicado, que o perigo para as pessoas “não aumenta” por causa deste caso de H5N1 em aves domésticas na Saxónia.
Em Março, já tinha havido uma suspeita de gripe das aves que não chegou a confirmar-se, numa empresa avícola da Baviera, o que obrigou na altura ao abate de cerca de 400 frangos.
O mais tardar na quinta-feira, após análises a efectuar ainda no Instituto de Medicina Veterinária de Riems, o laboratório de referência alemão, saber-se-á se se trata da variante asiática da epidemia animal, a mais agressiva, disse a porta-voz do instituto, Elke Reinking.
Há receios de que no estábulo de perus de Mutschen-Leipzig tenha surgido, de facto, esta variante, porque ela foi encontrada até agora na grande maioria das cerca de 200 aves selvagens contaminadas recolhidas em vários pontos da Alemanha, sobretudo na Ilha de Ruegen, no nordeste do país, desde 14 de Fevereiro.
“Se for de facto a variante mais patogénica do vírus, temos de contar com restrições comerciais”, admitiu já, em Berlim, a porta-voz do Ministério Federal da Agricultura e Defesa do Consumidor, Tanja Thiele.
Os países com aves domésticas contaminadas com o H5N1 são alvo de proibição de exportação de produtos avícolas por parte da União Europeia.
Na Alemanha há cerca de 110 milhões de aves domésticas. A grande maioria das existências está concentrada no “land” da Baixa-Saxónia, no centro do país, que tem cerca de 70 milhões de animais.
Mesmo antes de o H5N1 chegar às capoeiras alemãs, os industriais do sector já tinham registado em apenas mês e meio uma quebra de cerca de 20 por cento na venda de produtos avícolas.
Fonte: Agroportal
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