O número de jovens entre os 20 e os 30 anos com problemas de alcoolismo disparou na última década.
A notícia é avançada na edição desta quinta-feira do Jornal de Notícias, que, citando a médica psquiatra do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, Célia Franco, garante ainda que este «não é um problema circunscrito a determinado extrato social».
Esta unidade hospitalar recebe cerca de mil doentes novos por ano, quase todos «já em estado muito grave», afiança a mesma fonte.
O novo perfil do alcoólico dependente foi traçado, na quarta-feira, no IV Congresso Nacional da Psiquiatria, que decorre no Luso até depois de amanhã.
«A dependência ao álcool registou uma mudança de padrão. Há uma década os alcoólicos dependentes tinham entre 40 e 50 anos. Hoje estão na casa dos 20/30 anos e o consumo tem como objectivo obter um estado alterado de consciência», acrescentou a mesma especialista.
«Na origem desta dependência estão factores sociais, hábitos instalados que têm a ver com a integração no grupo, ainda na adolescência ou na universidade. Quando estas pessoas nos procuram, já têm um problema real.»
Quanto ao processo de recuperação, «pode ser moroso, complexo, sobretudo se não for detectado antecipadamente e se o doente não aderir bem ao tratamento».
Ao problema do álcool acresce, habitualmente, afirma Célia Franco, «a associação à cannabis, o que provoca perturbações graves, como a violência, agressividade».
E alerta: «É um mito as pessoas acharem que a cannabis é inocente».
Fonte: Diário Digital
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