Álcool: Especialista defende 18 anos como idade mínima

O especialista em doenças do fígado Rui Tato Marinho defendeu hoje a proibição da venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos e a redução da taxa de alcoolemia para os profissionais dos transportes e para os mais jovens.

«Portugal é dos poucos países no mundo que tem os 16 anos como idade mínima, quase todos têm 18 anos. Não faz sentido estar fora deste comboio. Ainda por cima somos dos 10 países do mundo que mais consomem álcool», declarou à agência Lusa o médico do Hospital de Santa Maria.

Na quarta feira foi aprovado o Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool 2010-2012, mas sem a aprovação de medidas efetivas previstas no próprio plano para combater o consumo entre os jovens.

Embora saudando um plano que «vem, em boa altura, tentar controlar as consequências do consumo excessivo de álcool», Tato Marinho defende que se deve avançar para o aumento da idade mínima do consumo de bebidas.

«O plano é uma excelente medida, mas falta obviamente implementá-lo. Tem que haver legislação, mas vai demorar algum tempo. É inegável que do ponto de vista científico tem de se aumentar a idade mínima de consumo para os 18 anos», sublinhou.

No entanto, a tutela considera que este não é o momento para avançar com «medidas repressivas» como esta, apesar de o próprio Plano Nacional a contemplar.

Outra medida considerada fundamental por Tato Marinho é a redução da taxa de alcoolemia de 0,5 para 0,2 no caso dos profissionais dos transportes e nos jovens.

«O risco de morte na estrada é muito superior num jovem que tenha 0,5 de taxa de alcoolemia do que quando comparado com um adulto», justifica.

Além disso, o gastrenterologista especialista em doenças do fígado refere que cerca de 40 por cento dos jovens que começam a embriagar-se pelos 13/14 anos ficarão alcoólicos no futuro: «Há vários estudos feitos que apontam neste sentido».

Tato Marinho reconhece que «politicamente» são medidas complicadas de efetivar, devendo o Governo prever um «ataque da indústria» do setor.

Quanto às campanhas de sensibilização, o médico considera que não têm sido suficientes e lembra que «custam muito dinheiro».

Além disso, estas campanhas «têm que lutar contra alguma desinformação da parte comercial, da indústria», referiu ainda.

Fonte: Diário Digital

Veja também

Consumo de café aumenta resposta ao tratamento da hepatite C

Os pacientes com hepatite C avançada e com doença hepática crónica que receberam interferão peguilado …