Mais de 200 cabeças de gado, suíno e bovino, estão a ser abatidas numa exploração pecuária no Torrão, concelho de Alcácer do Sal, abandonada pelo proprietário, disse ontem à agência Lusa fonte do Ministério da Agricultura.
“O abate coercivo e o transporte das carcaças para uma unidade de transformação de sub-produtos estão a ser feitos desde o final da semana passada”, explicou a fonte, sem adiantar, contudo, a data prevista para a conclusão dos trabalhos.
A mesma fonte do Ministério da Agricultura escusou-se a explicou quais os métodos utilizados, garantindo apenas que se trata de “procedimentos veterinários”, cuja conclusão dará origem ao “encerramento da exploração”.
O abandono dos animais, que estavam a morrer à fome, e as descargas ilegais de efluentes na Herdade de Vale Médico, na freguesia do Torrão, em situação irregular, foram denunciadas à GNR por populares e proprietários de terrenos contíguos, adiantou à Lusa fonte policial.
“Desde 2003, que a GNR, através do seu Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), levanta autos em relação a duas suiniculturas, sempre por estas infracções”, referiu a fonte.
O proprietário da exploração, onde estavam cerca de 200 suínos e perto de 50 bovinos, detém ainda uma outra herdade na mesma zona, Vale David, embora legalizada.
A situação é conhecida do município de Alcácer do Sal desde 2000, altura em que foi “denunciada” ao Ministério da Agricultura “através de diversos ofícios”, assegurou, em declarações à agência Lusa, o presidente da autarquia, Pedro Paredes.
“Não se pode dizer que a câmara não estava atenta a isto”, frisou o autarca, que dirigiu segunda-feira um pedido de intervenção ao Ministério da Defesa para proceder à incineração dos cadáveres dos animais que se encontram já em putrefacção.
“Os animais que estão, agora, a ser abatidos são ‘fáceis’ de incinerar. Agora, o problema é em relação aos outros, que já se encontravam mortos há vários dias na herdade e que ninguém parece querer tratar”, alegou.
Pedro Paredes disse ser necessária a utilização de “fatos específicos, que evitem contaminações e que só o Exército deve possuir”.
“Nos serviços municipais de Protecção Civil, os únicos fatos que temos destinam-se à recolha de aves atingidas pelo vírus H5N1 (Gripe das Aves)”, observou.
O autarca lamentou ainda a “desordem” na resolução do caso, notando que “a situação tem vindo sempre a passar para o Ministério seguinte e aparentemente ninguém assume sua a gestão”.
Pedro Paredes afiançou que a “saúde pública” deverá estar a salvo neste caso, uma vez que a referida herdade se situa “fora da zona urbana, junto a um pinhal”.
O autarca manifestou a esperança de que o abate dos animais fique concluído “ainda ontem” e que o proprietário da exploração seja punido, “já que nunca pagou as multas que lhe têm sido aplicadas desde Agosto pelas autoridades”.
Fonte: Agroportal
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