Cabazes alimentares pouco diversificados, com produtos gordos e em quantidades exageradas não se adequam às famílias carenciadas a quem se destinam, acusam as instituições beneficiárias. Há alimentos que vão para o lixo. O programa europeu é executado através das instituições que se candidatam a estes cabazes de produtos excedentários.
No ano passado, mais de 99 mil famílias receberam ajuda alimentar de Bruxelas, através de 3486 instituições. Estas defendem que o Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados tem de ser revisto. “Está ultrapassado”, disse Eugénio da Fonseca, presidente da Caritas Portuguesa.
Há casos em que o excesso de produtos leva a que estes sejam deitados para o lixo porque o prazo de validade expirou antes de conseguirem ser consumidos. Por exemplo, a Junta de Freguesia da Venda Nova, na Amadora, recebeu este ano seis toneladas de produtos para apenas 22 famílias. “Enviei um ofício à Segurança Social para poder distribuir por mais famílias, mas foi negado”, contou Quadrado Rêgo, presidente da junta de freguesia.
Fonte do Instituto de Segurança Social reconheceu que o programa tem defeitos e que tem recebido as preocupações de várias instituições e deu a garantia que tenta resolver os problemas, “adequando, sempre que possível, essa distribuição entre as famílias e instituições”. Este programa anual é executado pelos Estados-membros, através das instituições que se candidatam a estes cabazes de produtos excedentários, como por exemplo pacotes de manteiga, leite em pó, arroz e massas.
Petição com mais de 15 mil assinaturas pede fim de desperdício alimentar
Está a decorrer uma petição, que já tem mais de 15 mil assinaturas, para impedir que milhares de refeições, “em perfeitas condições”, sejam deitadas para o lixo diariamente pelos refeitórios de grandes empresas.António Costa Pereira, quem lançou a petição, contactou várias empresas de catering e concluiu que, das cerca de 500 mil refeições servidas diariamente em refeitórios, 20 mil vão para o lixo, ao abrigo da Lei de Saúde Pública.
Há dois anos, Costa Pereira contactou a Presidência da República “que me respondeu que esse era um assunto do Governo”, segundo o texto da petição. “Contactado o Governo, responderam-me que iam pensar no assunto”. Com o passar do tempo, contactou três forças políticas diferentes mas não teve resposta. Depois surgiu a ideia de fazer uma petição e de começar a agir em Oeiras, onde reside. Aqui está a decorrer um projecto-piloto de recolha das refeições excedentes dos almoços nas cantinas de empresas, escolas, universidades e hospitais e a entrega das mesmas nas cantinas sociais.
Fonte: Anil
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