Alguns agricultores de Cerejais (Alfândega da Fé) já estão fartos do ataque constante a animais domésticos e espécies cinegéticas na Zona de Caça Associativa local, segundo acusam, de duas aves de rapina, que sobrevoam diariamente a aldeia.
Sérgio Vaz, biólogo, garantiu, ao JN, que a exploração do pai, Alcino Vaz, que fica junto à aldeia de Cerejais, foi atacada no final da passada semana. As aves de rapina mataram quatro cordeiros e uma ovelha adulta, e outra ficou gravemente ferida. O ataque deu-se durante a madrugada e, o barulho foi tanto que o proprietário acordou. E assistiu a um macabro espectáculo. “Eram visíveis golpes profundos, provocados pelas garras e bico das aves nas zona mais sensíveis dos ovinos, que se encontravam numa cerca junto à habitação do proprietário”, garante Sérgio Vaz.
Na localidade existe uma zona de caça associativa, onde tem sido feito o repovoamento intensivo com perdizes, coelhos, lebres, colocados pontos de água e plantado cereais. Mas desde que apareceram os dois predadores, os prejuízos começaram a elevar-se perdizes mortas, outras afugentadas… os responsáveis recordam que já foram feitos mais de 100 ataques. Por seu turno, a população garante ter assistido a alguns ataques “mesmo da esplanada do café local”, e garante que “as aves de rapinas não foram criadas no estado selvagem. Alguém as largou”.
Sérgio Vaz, não tem dúvidas de que as aves em questão são águias de Bonelli ou abutres do Egipto, ambas espécies protegidas. No local estiveram técnicos do Instituto de Conservação da Natureza para tomar conta da ocorrência. E terão aconselhado as pessoas a não atirarem às aves “mesmo em flagrante”, diz Sérgio Vaz.
Quebrou-se a cadeia alimentar
Segundo fonte do Instituto de Conservação da Natureza, tudo indica que, de facto, os ataques estejam a ser particados pelas águias, uma vez que “a seca e os incêndios quebraram a cadeia alimentar desses animais, que deixaram de ter bichos pequenos, como lagartos ou cobras, para se alimentar”. Assim, e uma vez que se esgotou o alimento, procuram os rebanhos.
Fonte: JN
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