O caudal do Rio Guadiana esteve nos últimos meses sempre acima dos valores mínimos fixados nos acordos com Portugal, garantiu à Lusa o Director Técnico da Confederação Hidrológica do Guadiana, em Badajoz, contrariando uma notícia hoje divulgada.
Segundo o Diário de Notícias (DN), as autoridades espanholas estariam a travar o caudal do rio Guadiana, impedindo a entrada de água na barragem do Alqueva, mas José Martinez desmentiu que, em qualquer altura, tenha sido violada a Convenção Luso-Espanhola que prevê uma passagem mínima de dois metros cúbicos de água por segundo (m3/s) para Portugal.
José Martinez acrescentou que tradicionalmente o caudal do Guadiana “chega a estar mais cheio no Verão do que no Inverno”.
O presidente do Instituto da Água, Orlando Borges, esclareceu, por sua vez, que a monitorização da passagem de água é feita na estação fronteiriça do Monte da Vinha.
“A Convenção determina que os caudais que vêm de Espanha sejam avaliados nesta estação que faz a monitorização em tempo real. São estes os dados que interessam”, disse à Lusa Orlando Borges, acrescentando que o valor mínimo registado, em termos do caudal médio diário, foi de 3,8 metros cúbicos por segundo.
A convenção luso-espanhola sobre recursos regula as condições de gestão e partilha dos rios transfronteirços (Douro, Tejo, Guadiana, Minho e Lima) e define o respectivo regime de caudais.
Os relatórios semanais dos caudais do Guadiana disponibilizados pela entidade espanhola indicam que entre a primeira semana de Julho e o passado dia 28 de Agosto, o valor mínimo dos caudais foi de 16,82 m3/s.
Assim, na semana que terminou a 17 de Julho o caudal foi de 22,69 m3/s, na semana que terminou a 24 Julho foi de 16,82 m3/s e na semana que terminou a 31 de Julho foi de 26,50 m3/s.
Nas duas primeiras semanas de Agosto o nível do caudal foi de 26,50 m3/s, na semana de 15 a 21 de Agosto fixou-se em 64,63 m3/s e na semana que terminou a 28 de Agosto ficou em 19,75 m3/s.
Os dados divulgados à Lusa contradizem alguns dos boletins hidrológicos do Ministério do Ambiente espanhol que apresentam valores nulos ou não indicados ao longo das últimas semanas.
O responsável da Confederação Hidrográfica de Badajoz atribui esses dados a “erros” ou “falta de actualização de dados”, causada porventura “pelo período de férias em Agosto” ou outro problema.
“Temos o registo diário dos valores e nunca foi violado o acordo com Portugal”, frisou.
A notícia do DN relacionava ainda os “cortes de caudal no Guadiana” com a perda de água na barragem do Alqueva.
De acordo com a Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas de Alqueva (EDIA), a albufeira perdeu água devido à seca e à necessidade de ser mantido o caudal ecológico do Rio Guadiana, além dos consumos agrícolas e produção de energia eléctrica.
A albufeira desceu quase cinco metros desde Junho de 2004, quando atingiu o pico máximo, passando de 80 por cento da sua capacidade total para 61,6 por cento.
Com 2.554 milhões de metros cúbicos de água armazenada, a albufeira situa-se actualmente na cota 143,84 (menos 4,66 metros que a cota máxima atingida há dois anos), o que corresponde a uma perda de 766 hectómetros cúbicos de água.
O máximo que Alqueva armazenou desde que começou a encher, em Fevereiro de 2002, ocorreu em Junho de 2004 quando atingiu a cota 148,5, um total de 3.320 milhões de metros cúbicos de água (80 por cento da capacidade total).
A albufeira de Alqueva tem capacidade para armazenar, na sua cota máxima (152), um total de 4.150 milhões de metros cúbicos de água, dos quais 3.150 milhões constituem o seu volume útil.
Com o enchimento à sua cota máxima, Alqueva criará o maior lago artificial da Europa, com 250 quilómetros quadrados de área (actualmente ocupa cerca de 170 quilómetros quadrados) e perto de 1.100 quilómetros de margens.
Fonte: Lusa
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