A indústria agro-alimentar pesa 7,6% na economia nacional e emprega mais de 110 mil pessoas. Apesar da crise, o sector conseguiu criar emprego. Empresas exportadoras são agora a aposta. Criação de consórcios é a solução.
A indústria de alimentação e bebidas é das que mais cresce em Portugal. Ao contrário de muitos sectores, este parece andar em contra-ciclo com a crise. Tendo em conta um volume de negócios de 12 500 milhões de euros, esta é, segundo a Federação das Indústrias Portuguesas Agro-alimentares (FIPA), a maior indústria portuguesa, representando 16% do total da indústria transformadora e 7,6% do PIB.
Apesar do clima económico adverso, a indústria agro-alimentar não contabilizou despedimentos e ainda criou postos de trabalho (ver infografia). Actualmente, dá trabalho a mais de 110 mil pessoas e agrega cerca de 11 mil empresas. Bebidas, carnes e lacticínios são os sectores de maior peso e representam 46% do total.
A inovação no sector é uma das causas do crescimento, mas para que haja mais dinamismo, os profissionais consideram que a formação de consórcios com vista à exportação é a receita. “É necessário alguma concentração nesta indústria com vista a aumentar a exportação e a internacionalização”, disse ao JN, o presidente da FIPA, Tomás Henriques, à margem do 3.º congresso da federação. Isto porque “quanto mais dispersas as empresas estiverem, mais difícil será enfrentar os novos desafios, quer no campo da comercialização, quer da internacionalização”, acrescentou.
A ideia foi também defendida, ontem, pelo presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, Francisco Van Zeller: “A indústria portuguesa está extremamente atomizada e é necessário que muitas empresas pequenas se juntem para criar uma de grande dimensão”. Uma solução que iria facilitar a vida das pequenas e médias empresas, principalmente, no cumprimento da legislação e no combate à burocracia, defendeu.
Ainda no âmbito do congresso, a FIPA e a Associação Portuguesa de Anunciantes assinaram um protocolo com o objectivo de alterar a publicidade a crianças menores de 12 anos e promover hábitos saudáveis no público infantil e combater a obesidade. Esta alteração será gradual, mas até ao final de 2010, as empresas deverão deixar de publicitar géneros alimentícios a menores. Coca-Cola, Danone, Iglo, Kellogg, Nestlé, Sumol e Matutano são algumas das 26 empresas envolvidas nesse compromisso.
Fonte: Jornal de Notícias
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