Agro-alimentar com duas marcas no SIAL de Paris

Começou no domingo, em França, a 24ª edição do SIAL – Salão Internacional de Produtos Alimentares, Bebidas, Hotelaria e Tratamento Industrial, que reúne em Paris 5500 expositores de 188 países, entre eles 35 empresas do agro-alimentar português.

Há, porém, este ano, um dado novo a assinalar: há empresas a expor por sua conta e risco, em espaço próprio, e um conjunto de outras, de mais pequena dimensão, agrupadas num stand comum, organizado pela ANCIPA (Associação Nacional dos Comerciantes e Industriais de Produtos Alimentares). O insólito é que umas estarão associadas à insígnia “Portuguese Choice & Taste”, outras à marca criada pelo Pólo agro-alimentar “Portugal Foods”.

Apesar dos apelos, institucionais e do meio empresarial, para que a presença das empresas nas feiras internacionais seja trabalhada de forma concertada e sob uma única imagem comum, os empresários do agro-alimentar não irão dar o melhor exemplo dessa prática no SIAL-2010, em Paris.

A ANCIPA alugou um espaço de 220m2 para agrupar 11 empresas da pastelaria, azeite, molhos, pré-cozinhados, queijos, carnes transformadas, conservas de peixe, conservas de hortofrutícolas, sumos e purés de fruta, que exporão os seus produtos sob a designação “Portuguese Choice & Taste”. Paralelamente, há 12 outras empresas, associadas do Pólo de Competitividade agro-alimentar, entre elas a Ramirez, a Frulact, a Pato Real, a Vieira de Castro e a Dan Cake, que participarão no certame sob a marca-chapéu “Portugal Foods”.

Luís Vieira, secretário de Estado das Pescas e da Agricultura, Manuel Tarré, presidente da ANCIPA, e João Miranda, presidente do Pólo agro-alimentar, não escondem o embaraço, apontando explicações diferenciadas.

“Portugal Foods” e “Portuguese Choice & Taste” não estarão em confronto
Questionado sobre se nesta acção de promoção da internacionalização não há marcas a mais, Luís Vieira admitiu. “É verdade”, disse, explicando que “temos de encontrar um equilíbrio que permita a Portugal afirmar-se nos produtos alimentares de uma forma organizada e disciplinada”. Disse, contudo, que a oficialização de uma única imagem corporativa está “em análise”, não havendo ainda “posição definitiva”.

Em todo o caso, realçou o governante, “não basta ir [aos certames internacionais] só com um stand com a marca x ou a marca y, pois isso tem menos força do que ir dentro da afirmação de uma estratégia global”.

Instado a comentar a dualidade de insígnias no SIAL de Paris, o presidente da ANCIPA mostrou-se agastado, afirmando que esta “é uma visão lamentavelmente curta”, que “demonstra que as empresas do agro-alimentar não estão unidas”, disse Manuel Tarré. Rejeitando que a “Portuguese Choice & Taste” e a “Portugal Foods” ali vão estar em confronto, Manuel Tarré assume que tal “passa uma imagem negativa” e que a “representação de Portugal neste evento deveria ter largas dezenas de empresas”, já que esta é “uma pálida representação portuguesa”.

João Miranda, presidente do Pólo agro-alimentar, explicou que “o caminho estratégico” para o SIAL-2010 passa por “optimizar a participação dos associados”. Com isso “criou-se um elo de ligação pela figura comum “PortugalFoods Member”, dando ênfase, nos materiais de divulgação, à participação directa do “PortugalFoods” no SIAL 2011 Canadá”, que decorre entre 11 e 13 de Maio em Toronto e onde em participarão “num formato mais forte e integrador” sob aquela marca.

Alegando desconhecer “a abrangência” da marca “Portuguese Choice & Taste”, o seu “posicionamento e estratégia”, o também presidente da Frulact recusa uma “avaliação” sobre se esta é a melhor forma de representar Portugal. Realça, contudo, que a “Portugalfoods” é “mais que uma marca”, representando “de forma sistematizada a fileira agro-alimentar através de estratégias colectivas com a ciência, a gastronomia e o turismo”. E, nessa óptica, diz João Miranda, “é reconhecida pelos ministérios da Agricultura e da Economia e Inovação”.

Fonte: Anil

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