Agricultura deve contribuir para desendividamento

Ofereceram-lhe um chapéu com a inscrição “Nós semeamos” e Paulo Portas tirou logo partido dele. Não apenas para se proteger do sol, mas para tirar uma grande lição daquelas palavras: “O principal na agricultura, como na política, é isto.”

Numa visita à Agroglobal, Feira do Milho e das Grandes Culturas, que hoje termina em Valada (Cartaxo), o líder do CDS-PP defendeu que a agricultura deve contribuir para o desendividamento do país, considerando essencial alterar a situação actual, de 7800 milhões de euros de importações contra 4600 milhões de exportações de produtos agrícolas. “Uma boa política é a que, passo a passo mas decididamente, altera esta composição”, afirmou.

Portas aproveitou para fazer uma associação entre os números da agricultura portuguesa e o da dívida pública; “O que exportamos em produtos agrícolas, alimentares e florestais é menos do que o que os portugueses pagam pelos juros da dívida pública. Também por essa razão temos que produzir mais, vender mais ao estrangeiro e importar menos”, afirmou.

Considerando a Agroglobal como um exemplo de que há condições para Portugal ser competitivo neste setor, Paulo Portas reafirmou o apelo a que o Estado não seja “um obstáculo” e que cumpra as suas obrigações “a tempo e horas”, nomeadamente no pagamento aos agricultores.

Em vésperas da negociação dos fundos comunitários para o sector, o líder do CDS/PP frisou que Portugal não pode correr o risco de ser confrontado com o facto de não ter usado os fundos que teve à sua disposição. “Portugal tem que saber usar os fundos comunitários, não deixar um cêntimo por usar”, afirmou.

Para as tarefas que aí vêm, Portas exigiu um ministro da Agricultura “com força política”, escusando-se a responder à questão sobre se defende a substituição de António Serrano. “Para haver uma boa política agrícola é preciso haver um ministro com força política”, disse apenas.

Importância estratégica da agricultura
O presidente do PSD visitou também a Agroglobal tendo afirmado que é preciso “voltar a dar importância estratégica” à agricultura, que considerou “essencial quer à recuperação da economia quer para a geração de emprego”.

“Temos uma balança agrícola e alimentar extremamente deficitária – importamos praticamente 70 por cento das nossas necessidades na área alimentar – o que significa que podemos crescer, aumentar o desempenho e a competitividade do sector e com isso diminuir a dependência externa do país e criar condições para a coesão do território”, afirmou.

Passos Coelho elogiou o certame promovido pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária / Fonte Boa (proprietário do terreno onde decorre a feira), pelas empresas Valinveste e Agroterra e pela Câmara Municipal do Cartaxo. “Espero que edições como esta possam levar junto dos agricultores e das instâncias com responsabilidades nesta área um sentido de urgência e de investimento que não tem sido feito”, afirmou. O líder social-democrata realçou o facto de a feira ser direccionada aos agricultores, já que não possui outras valências que as puramente agrícolas.

Fonte: Anil

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