Há leite à venda nos hipermercados que desperta sérias reservas aos produtores minhotos quanto à sua constituição. A denúncia assumida por várias centenas de agricultores do Minho foi comunicada ao Governador Civil de Braga, num encontro em que também vão dar conta das razões que estão a colocar as muitas explorações agrícolas perto da falência.
Os produtores pedem mesmo a intervenção da Autoridade da Segurança Alimentar e Económica, por entenderem que estão a ser colocadas nas prateleiras embalagens que violam directivas comunitárias para a área da distribuição alimentar.
Produtores de leite ‘aliciam’ governador para a sua causa
Um grupo de 10 agricultores, em representação dos produtores de leite da região do Entre Douro-e-Minho, entregou ao governador civil, um caderno reivindicativo. E lançam um alerta à opinião pública. Com a esta iniciativa, pretendem também chamar a atenção da opinião pública para os problemas que estão a afectar o sector. “Precisamos de alertar a opinião pública e principalmente o Governo para a grande injustiça de que estamos a ser vítimas” — disse Paulo Pinheiro, produtor de leite em Amares. “A agricultura portuguesa vive uma crise profunda, resultante da conjugação da subida do custo de todos os factores de produção e da baixa no preço dos produtos agrícolas ao produtor.
Os agricultores desesperam e estão revoltados com a indiferença do Ministério da Agricultura perante os seus problemas, agravados com as declarações do ministro da Agricultura que induzem em erro a opinião pública, tentam sacudir a água do capote e não apontam soluções para o sector”, sublinha-se no texto introdutório do documento. Entre os problemas que os produtores consideram mais urgentes, em termos de resolução, está, na primeira fila, a baixa do preço do leite ao produtor, a situar-se entre os 5 e 9 cêntimos por litro, desde Março, conforme o comprador. “As perdas para os produtores representam, em média mais de 50 por cento” — esclareceu Paulo Pinheiro.
Na lista acrescenta-se a incerteza quanto à evolução do mercado no futuro próximo e o previsível fim das quotas leiteiras; a dificuldade na venda de produtos agrícolas nacionais face à importação sob a forma de “marcas brancas” nas grandes superfícieis; o corte do abono de família, “por causa da segurança social considerar como rendimento todas as receitas, ignorando todas as despesas do agricultor, enquanto empresa/trabalhador independente”.
Dificuldades que se justificam também pelo aumento dos custos de produção: 56 por cento em ração/cereais nos últimos dois anos; entre 50 e 80 cento nos abudos; 20 por cento em sementes; e o gasóleo agrícola a subir até aos 50 por cento. O documento inclui propostas de resolução distribuídas em 18 pontos. “Nós, ao Governo, pedimos essencialmente que aplique a legislação existente” — adiantou Paulo Pinheiro, chamando atenção para o incumprimento em matéria de rotulagem dos produtos alimentares pela maioria dos produtos de linha branca existentes nas cadeias de comercialização”. E a fome já se vê em algumas regiões.
Fonte: Anil
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal