Agricultores afectados pelo mau tempo exigem ao Governo “medidas concretas”

A Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA) exigiu ontem do Governo “respostas concretas” aos problemas dos agricultores do distrito que foram afectados pelas últimas intempéries.

Em conferência de imprensa, os responsáveis pela associação disseram que aguardam pelo resultado do levantamento dos estragos que foi feito pelas autoridades oficiais, mas estimam que os prejuízos atinjam as “centenas ou milhares de euros”.

Segundo Albino Silva, presidente da ALDA, o mau tempo que se abateu sobre o País, nos últimos tempos “levantou estufas e provocou a perda de muitos hectares de batata primor, nomeadamente na zona das Gafanhas, em Ílhavo”.

O dirigente adiantou ainda que os picos da maré alta, na zona de Ovar, “provocaram a invasão de campos de água salgada fazendo com que os agricultores perdessem as suas culturas e comprometessem as próximas sementeiras”.

“O inverno levou muita tonelada de batata a mim e aos meus colegas e a geada levou o que sobrou anteontem”, disse aos jornalistas Silvino Tomás, um horticultor, de 61 anos, que afirma ter perdido cerca de 60 toneladas de batata semeadas em três hectares entre a ria e o mar.

Albino Silva desmentiu, por outro lado, a ideia de que os produtos hortícolas tenham subido de preço em resultado da perda de produção provocada pelo mau tempo. “Há produtos que ainda baixaram mais. Isso é uma questão de propaganda que não tem nada a ver com a realidade dos produtos que são vendidos da produção à comercialização”, adiantou o dirigente.

Durante a conferencia de imprensa realizada de manhã, a ALDA defendeu a rápida conclusão do dique do Baixo Vouga e uma resposta técnica adequada para salvaguarda dos campos da invasão da água salgada.

Os agricultores exigem ainda preços justos à produção e apoio técnico e financeiro para concretização do licenciamento das explorações pecuárias.

O presidente da ALDA aproveitou ainda a oportunidade para falar do 6.º congresso da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e da agricultura portuguesa que vai ter lugar no próximo domingo em Espinho, reunindo mais de dois mil delegados de todo o País.

Segundo Albino Silva, o congresso, que se realiza num momento de “grande crise” para a agricultura portuguesa, “vai continuar a afirmar que há outros caminhos para a nossa agricultura, passando por melhorar os rendimentos dos agricultores e garantir uma alimentação saudável e acessível a todos os portugueses”.

Fonte: Agroportal

Veja também

Consumo de café aumenta resposta ao tratamento da hepatite C

Os pacientes com hepatite C avançada e com doença hepática crónica que receberam interferão peguilado …