A presidente da recém-criada Agência Portuguesa de Segurança Alimentar (APSA) defendeu hoje a necessidade de fazer um levantamento aos hábitos alimentares dos portugueses, que se alteraram muito nos últimos anos, sobretudo nos centros urbanos.
Isabel Meirelles falava após uma reunião que juntou em Lisboa 25 responsáveis de agências de segurança alimentar dos países comunitários, bem como da Islândia, Noruega e Suíça, para debater o futuro da segurança alimentar e hipotéticos cenários de crise.
A presidente da APSA lembrou que “há muito não se faz um inquérito sobre os hábitos alimentares dos portugueses” e que é preciso fazer esse levantamento, alegando que “houve alterações significativas, sobretudo nos centros urbanos”.
De acordo com Isabel Meirelles, a APSA pretende juntar várias entidades relacionadas com o sector da alimentação para poder lançar esta iniciativa.
A reunião de hoje coincidiu com a entrada em funcionamento da APSA, cujos estatutos foram publicados no dia 14 de Janeiro, tendo o ministro de Estado e da Presidência, Morais Sarmento, que tutela este organismo, destacado o funcionamento independente da Agência face ao poder político e às entidades inspectivas.
“A melhor garantia de independência é a autonomia relativamente às entidades fiscalizadoras”, sublinhou o ministro, adiantando que foi decidido colocar a APSA sob tutela do Ministério da Presidência para não conflituar com interesses, o que poderia acontecer sob a alçada de outros ministérios como os da Saúde, da Agricultura ou do Ambiente.
Morais Sarmento frisou ainda que não vai haver “validação de informação por parte da tutela”.
“Em situações anteriores de alarme em termos de alimentação, os consumidores não conseguiram receber uma mensagem coerente sobre a existência ou não de riscos para a saúde pública”, disse o ministro, sublinhando que a Agência deve “colmatar esta lacuna”.
Isabel Meirelles explicou que, para já, a APSA pretende recrutar “os melhores técnicos e cientistas para avaliar de forma independente os riscos da cadeia alimentar”.
A Agência Portuguesa de Segurança Alimentar pretende também transmitir os dados científicos de forma acessível e sensibilizar a população para questões relacionadas com a higiene alimentar.
Na reunião foram debatidas questões relacionadas com um hipotético cenário de crise, em que a comunicação assume um papel preponderante.
“A comunicação é fundamental para gerir uma situação de crise.
Para haver respostas no primeiro momento é decisivo haver coordenação e saber comunicar, logo no início”, afirmou o presidente da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), Geoffrey Podger.
A APSA também vai ter uma célula de crise interna.
“É importante comunicar para que não existam pânicos desnecessários”, argumentou Isabel Meirelles.
à saída do Centro Cultural de Belém, onde decorreu a reunião, um grupo de militantes do partido ecologista “Os Verdes” manifestou-se contra os Organismos Geneticamente Modificados (OGM).
“Nem no prato, nem no prado”, eram as palavras de ordem exibidas numa faixa.
“Os Verdes” congratularam-se com o aparecimento da APSA, mas mostraram-se preocupados com a segurança alimentar.
Francisco Madeira Lopes, candidato das listas da CDU em Lisboa, alertou para o perigo dos OGM: “Não há conhecimento suficiente sobre os riscos que os transgénicos representam a nível de alteração das culturas e para a saúde”.
“O Governo quis avançar por via regulamentar com a aprovação da coexistência de culturas transgénicas e tradicionais, mas nós queremos um debate sobre esta matéria. Esta decisão não deve ser tomada de ânimo leve”, declarou Francisco Madeira Lopes.
Fonte: AgroPortal
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