O presidente do conselho de administração da SINAGA, João Trabuco, assegurou hoje que a açucareira açoriana “não pretende” ser arrendatária de terrenos agrícolas actualmente ocupados com outras culturas, considerando “totalmente falsas e infundadas” as críticas feitas à empresa.
João Trabuco frisou que a SINAGA “decidiu promover contratos de aquisição de beterraba aos agricultores”, acrescentando que se trata “exclusivamente de contratos de produção com os agricultores e nunca com proprietários que tenham estabelecidos contratos de arrendamento”.
A posição da SINAGA surge na sequência de criticas feitas pelo presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, que acusou a açucareira de “concorrência desleal” por oferecer “10 vezes mais” por alqueire de terra do que é habitualmente pago aos produtores de leite.
Na resposta, João Trabuco afirmou que a SINAGA oferece aos agricultores “uma garantia de risco de produção que assegura um rendimento fixo de 3000 euros por hectare, estabelecendo como contrapartida o cumprimento integral de especificações técnico-científicas”.
A SINAGA, cuja maioria do capital foi recentemente adquirida pelo governo regional, pretende atingir uma produção anual de 9983 toneladas de açúcar dentro de cinco anos, para o que necessita de “assegurar uma área de cultivo de beterraba adequada às necessidades”.
“A SINAGA considera prioritário incentivar a produção local de beterraba sacarina e a melhoria dos níveis de produtividade”, afirmou João Trabuco, revelando que a empresa está a analisar cerca de 600 hectares de terrenos disponibilizados até agora para a produção de beterraba em S. Miguel para avaliar a sua adequação aos requisitos definidos.
“Só serão estabelecidos contratos com agricultores que explorem terrenos com as condições mínimas necessárias para uma utilização mecânica rentável e que possuam as condições técnicas exigidas para a cultura da beterraba”, frisou, admitindo que os primeiros contratos possam ser assinados em meados de Dezembro.
Segundo João Trabuco, a SINAGA “pretende promover e valorizar a cultura da beterraba, incentivando os agricultores ao seu cultivo e contribuindo para a diversificação e reforço do seu rendimento”.
“O que se pretende é aumentar a rentabilidade das explorações agrícolas, contribuindo para o desenvolvimento económico, social e tecnológico da agricultura dos Açores”, afirmou.
João Trabuco admitiu que não deverá ser possível utilizar a totalidade dos 600 hectares disponibilizados pelos agricultores, mas considerou que 450 hectares é “uma meta atingível”, representando um aumento significativo relativamente aos 152 hectares deste ano.
Fonte: Agroportal
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