Os países da África, Caraíbas e Pacífico (ACP), que beneficiam de tratamento preferencial no mercado comunitário, e os Países Menos Avançados, que beneficiam do acordo Everything But Arms, reuniram este fim-de-semana em Kisumo, no Quénia, para debater as suas preocupações em relação à reforma do sector europeu do açúcar.
Em resultado do encontro, foi assinada a Declaração de Kisumu sobre o Açúcar, em que as partes participantes puseram em relevo os pontos mais relevantes do que consideram ser uma proposta negativa de reforma, elaborada pela Comissão Europeia, noticia o Agrodigital.
Os países mostraram-se dispostos a trabalhar com a União Europeia para estabelecer estratégias de desenvolvimento sócio-económico no âmbito do comércio do açúcar e quiseram salientar que estão conscientes da necessidade de reforma do sector, já que é necessário que o mesmo se torne mais competitivo.
No entanto, lamentaram a falta de progressos no dossier e a falta de consideração face às preocupações demonstradas pelo ACP e pelos Países Menos Avançados. Para eles, a proposta da Comissão é desequilibrada e discriminatória, além de padecer de uma falta de coerência que pode comprometer a capacidade destes países de utilizar o comércio do açúcar como meio de cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
Os signatários da Declaração de Kisumu quiseram relevar a preocupação com o facto da proposta da Comissão, na sua forma actual, abrir caminho à destruição da indústria açucareira destes países. Face a estas consequências, o nível de ajudas para mitigar os efeitos da reforma (40 milhões de euros no primeiro ano) é insuficiente.
Apesar dos vários pontos negativos, o documento criado no fim-de-semana passado, saúda a solidariedade dos eurodeputados, alguns estados-membros, organizações não-governamentais e sociedade civil europeia. Destes quadrantes têm saído vozes críticas face à reforma proposta pela Comissão Europeia.
Fonte: Agrodigital e Confragi
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