A actividade dos produtores de carne terá de ser “repensada e reformatada” perante o aumento acentuado dos preços dos cereais, devendo haver uma “selecção” que vai levar ao desaparecimento de algumas unidades, defendeu uma fonte do sector agrícola.
O presidente da Associação Nacional de Produtores de Milho (ANPROMIS), Luís Vasconcellos e Souza, explicou ontem à agência Lusa que a subida do preços dos cereais levou a um aumento do valor a pagar pelas rações e os produtores “não conseguem fazer passar o acréscimo de custos de produção para o cliente, ficando com uma margem muito curta” para gerir o seu negócio.
Os cereais, puxados pelo trigo, têm registado recordes de preços nos mercados mundiais e o milho tem servido como substituto para várias urtilizações daquela planta.
Assim, a procura de milho tem sido mais acentuada e o seu preço já subiu mais de 30 por cento num ano, em Portugal, estando nos 210 a 220 euros por tonelada, e sendo responsável pelo encarecimento das rações para animais, explicou Vasconcellos e Souza.
Em Portugal, a produção de milho é de 600 mil toneladas, mas o consumo atinge cerca do dobro, segundo dados da ANPROMIS.
“A situação dos mercados de cereais acrescida da subida de outros custos de produção fez com que a necessidade de liquidez dos produtores tenha duplicado”, referiu, frisando que estes “não conseguem passar o aumento de custos para os clientes” o que vai levar a repensar e reformatar a sua actividade.
Na opinião de Vasconcellos e Souza, no processo de selecção, “vamos assistir a empresas e produtores a desistir e outros a ganhar dimensão”, realçando que “todo o sector agrícola está a mudar excepto o vinho”.
O presidente da ANPROMIS chama ainda a atenção para o caso do leite, que “não está tão mal [como outras áreas] porque o seu preço também tem subido no mercado”.
Para já, as empresas ainda estão a comprar o milho a preços menos altos, pois o negócio foi feito há alguns meses, no mercado de futuros, mas nos próximos meses aqueles valores (nas aquisições feitas actualmente) poderão subir, especificou o presidente da ANPROMIS.
A produção mundial do milho atinge 700 milhões de toneladas, sendo que somente 10 a 15 por cento vão para o mercado internacional, sendo os EUA responsáveis por exportações entre 40 a 45 milhões de toneladas.
As subidas dos preços dos cereais não está somente relacionado com o aumento do consumo e com a utilização para biocombustíveis, mas também com as condições climatéricas.
Fonte: Agroportal
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