Em 2003 na campanha de Inverno o preço base do leite nos Açores era de 0,255 euros e na campanha de verão de 0,23 euros por litro. Em 2004, estes valores baixaram 0,0061 euros, enquanto que em 2005, houve uma diminuição de 0,0057 euros. No ano que findou, registou-se novamente uma baixa, desta vez de 0,0065 euros por cada litro de leite, ficando o preço base em 0,237 no Inverno e de 0,212 euros no Verão. Em três anos o valor do leite desceu 0,018 euros à produção.
A diferença do preço de leite pago à produção entre os Açores e o Continente chegou a atingir cerca de 0,095 euros/kilo na Primavera de 2005, refere a notícia do Açoriano Oriental. No entanto, durante o ano de 2006, os bons resultados conseguidos ao nível da qualidade do leite atenuaram esta diferença.
A indústria está a pagar em média cerca 0,075 euros por kilo a menos que no Continente e na Europa. Segundo o Presidente da Associação de Agricultore de S. Miguel “se não fosse a compensação vinda de Bruxelas o actual preço do leite não daria para assegurar as condições básicas nas explorações”. Esta é uma luta antiga entre industriais e produtores e que promete ser retomada nos próximos tempos.
Para o líder da lavoura micaelense, foram os industriais que mais absorveram nos últimos anos as verbas vindas de Bruxelas para o sector. Desta forma beneficiaram as suas estruturas fabris, o que lhes permitiu mais e melhores condições de laboração, com consequente melhoria de rendimentos para os mesmos. Para além disso, a distribuição das 50 mil toneladas do autoconsumo, de 7.200 do resgate regional mais a reserva nacional, permitiu que houvesse nos Açores a maior distribuição de sempre no valor de 60 742 toneladas.
S. Miguel beneficiou de mais de 41 mil toneladas do bolo que foi distribuído nos Açores. “A compra nos últimos anos de mais quota no continente veio também beneficiar estes mesmos industriais na transformação e comercialização dos nossos produtos”, aponta Jorge Rita. As negociações para o aumento do preço do leite já tiveram início com reuniões entre a Unileite e a Associação de Jovens na presença do Secretário da Agricultura, Dr. Noé Rodrigues. O objectivo é chamar à discussão as indústrias de Lacticínios para a nova conjuntura de mercado.
A explicação dos industriais para as reduções verificadas no preço de leite deveu-se essencialmente à baixa na procura de produtos lácteos nos últimos três anos. No entanto e, segundo Jorge Rita esta situação já se inverteu “pois o mercado apresenta boas perspectivas para os preços destes produtos”. Para tal e “apesar do aumento de quota, as entregas na UE a 25 mostram uma tendência de baixa pois entre Janeiro e Setembro de 2006 diminuíram 1,3% face ao período homólogo do ano anterior”, explica o líder.
Esta diminuição proporcionou que os preços dos produtos lácteos nos mercados aumentassem. Nos produtos de menor valor acrescentado, a situação também é favorável já que o mercado de leite em pó desnatado mostra escassez de produto, deste modo, o seu preço tenderá a crescer cada vez mais. A manteiga, também está com um mercado favorável devido às ofertas estarem limitadas e como consequência, aumentarão os seus preços prevendo-se que esta situação continue no 1º trimestre de 2007.
Por sua vez, os produtos de valor acrescentado, como é o caso do leite UHT e do queijo, continuam a vender-se muito bem, refere Jorge Rita acrescentando que “além da entrega de leite na UE, verifica-se igualmente uma subida dos preços no mercado lácteo mundial”. As expectativas são, na opinião do dirigente, muito boas, “pois continuará a haver uma boa procura destes produtos nalgumas zonas do mundo, nomeadamente na Ásia, Norte de África e Médio Oriente, devido ao crescimento económico que se tem verificado por aquelas bandas”.
Expostas as principais razões para a justificação do aumento do preço de leite, Jorge Rita, acredita que este é o momento para a indústria tomar tal atitude. Para isso conta com a colaboração dos industriais micaelenses, da ANIL (BEL, Prolacto e Insulac) e Unileite. “Todas têm condições para permitirem esse aumento, atendendo aos rendimentos positivos verificados nos últimos anos e aos factores acima mencionados”, afirma. Confrontado com a questão de como conseguirá chamar ao consenso os industriais, Jorge Rita conta essencialmente com a colaboração da Secretaria da Agricultura e Florestas, na pessoa do seu Secretário, Dr. Noé Rodrigues. A jeito de desafio, propõe saber da parte do governante se todos os pagamentos em relação à indústria estão em dia e se isto se verificar, então, “o Senhor Secretário tem ainda mais razões para ajudar os produtores nesta luta que se avizinha”, realça.
Os próximos tempos prometem ser de tensão entre industriais e produtores. Jorge Rita apela essencialmente ao bom senso dos senhores da transformação pois “é uma questão de justiça subir o preço do leite tendo em conta o mercado actual e os custos de produção terem aumentado de uma forma drástica, como foi o caso do gasóleo e seus derivados, adubos, rações, mão de obra, já para não falar da subida dos juros”.
Fonte: Anil
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