Vinte e cinco produtores açorianos juntaram-se para formar uma cooperativa destinada a comercializar a carne dos Açores com Indicação Geográfica Protegida (IGP), anunciou hoje o presidente da Federação Agrícola do arquipélago.
Virgílio Oliveira adiantou à agência Lusa que o número de associados da Verdeatlântico poderá vir a crescer no futuro, uma vez que se trata de um organismo que pretende dinamizar o mercado e defender as mais valias da carne produzida nas ilhas.
“Esta nova entidade, que surge de um compromisso antigo da Federação Agrícola dos Açores, vai trabalhar para defender a carne dos Açores, garantir a sua qualidade e dar segurança aos consumidores”, afirmou o dirigente associativo, que espera que, até ao final do ano, os consumidores tenham acesso ao produto.
Segundo explicou, a cooperativa vai gerir directamente a divulgação da carne açoriana, enquanto a sua comercialização será feita em parceria com empresários privados de distribuição de carne.
“Temos já duas empresas regionais e uma nacional interessadas em comercializar esta carne”, avançou o responsável da Federação Agrícola, que acrescentou que a cooperativa tem sido contactada por outros interessados neste negócio.
Virgílio Oliveira adiantou, ainda, que a Verdeatlântico, que será liderada por Tiago Cardoso, vai procurar acelerar o processo de divulgação do novo produto junto dos consumidores, defendendo que o sucesso do negócio passa pelo estabelecimento de acções concertadas de promoção.
“Tem-se gasto muito dinheiro em promoção da carne dos Açores, mas continua a faltar o devido retorno do investimento efectuado”, salientou Virgílio Oliveira, para quem os produtos “made in Açores” deveriam ser promovidos conjuntamente.
Para o presidente da Federação Agrícola dos Açores, só através da promoção conjunta de produtos açorianos de qualidade como carne, leite, mel, entre outros, será possível “chamar a atenção dos consumidores”, rentabilizando o dinheiro investido em campanhas publicitárias.
Nos Açores existem, cerca de 200 explorações devidamente certificadas, de acordo com os critérios definidos pela União Europeia, e um potencial de 4.500 a cinco mil animais para produção de carne IGP, disse.
Compete ao Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA), através de uma comissão técnica, de que faz parte a Federação Agrícola dos Açores, controlar e certificar as unidades de abate e postos de venda.
A carne de bovinos açorianos é considerada como IGP quando for proveniente de carcaças de bovinos nascidos, criados e abatidos no arquipélago, em moldes tradicionais e de acordo com um caderno de especificações.
Como moldes tradicionais são considerados os critérios de crescimento e pastoreio e alimentação à base de erva.
Desde que a União Europeia, em 2003, reconheceu à região a possibilidade de produzir carne IGP, mais nenhuma outra carne produzida e comercializada no arquipélago ou fora dele poderá ostentar na sua rotulagem a palavra Açores.
Fonte: Agroportal
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