A produtora biológica Ana Santos decidiu recentemente vender os seus produtos agrícolas no mercado de Ponta Delgada, uma forma tradicional de comércio que não dispensa, porém, o recurso às novas tecnologias para satisfazer os clientes.
“Não trago para o mercado todos os produtos que cultivo, mas os clientes têm acesso por telefone ou e-mail à minha lista semanal, podendo encomendar de véspera e levantar o cabaz no mercado ao sábado”, explicou à agência Lusa a antiga enfermeira de Lisboa que deixou profissão para se dedicar à nova actividade, quando chegou à ilha de São Miguel há 22 anos.
Na sequência da aposta que efectuou há anos nas novas tecnologias, disponibilizando o seu catálogo de produtos na Internet, decidiu recentemente “levar as suas culturas para o Mercado da Graça”, na maior cidade açoriana.
Depois das vendas ao domicílio e de o telefone terem sido os meios privilegiado para encomendar os produtos biológicos, Ana Santos explicou que decidiu, agora, apostar numa outra vertente, também com o intuito de “divulgar e informar” sobre a agricultura biológica.
“Falei com duas grandes superfícies comerciais de São Miguel, não obtive ainda resposta, daí que, após contactos com o vereador responsável pelo mercado e com a ARDE (Associação de Desenvolvimento Local), decidi preparar as minhas culturas e vir para o mercado”, salientou a produtora.
Sentada ao lado da banca de toldo amarelo – a primeira e a única de produtos exclusivamente biológicos existente no mercado da maior ilha açoriana – Ana Santos adiantou à Lusa que disponibiliza “uma lista renovada de produtos ao longo da semana”.
Mas esse esforço pressupõe que “no meu hectare de cultivo tenha que ter vários produtos, trazendo custos acrescidos”, disse Ana Santos, para quem “seria mais fácil e rentável que cada agricultor apenas fizesse quatro ou cinco produtos”.
Abóbora, vários tipos de alface, agrião, aipo, batata nova, louro, couve penca, fava, chicória, louro, espinafres, maracujá, morango, banana, anonas assinala Ana Santos, entre uma venda e uma explicação a um outro cliente interessado naquele modo de produção.
Ana Santos garante já ter constatado “grande receptividade” das pessoas à sua recente experiência de venda no mercado, de tal modo que já solicitou para alargar o período de permanência no Mercado da Graça.
“Por vezes, os meus colegas de mercado questionam como é que consigo ter a batata assim ou a couve, mas não posso explicar que ponho isto ou aquilo”, reconheceu a produtora, ao garantir que vai continuar a apostar na opção pela agricultura biológica.
Segundo dados da secretaria regional da Agricultura e Florestas a que a Lusa teve acesso, existiam em 2005 nos Açores um total de 21 produtores agrícolas no modo de produção biológico.
Desse total, treze são da ilha de São Miguel, cinco da Terceira e três de São Jorge.
Depois de ter chegado aos Açores em 1984 para se dedicar à agricultura biológica, numa quinta adquirida em São Vicente Ferreira, Ana Santos produz, actualmente, um hectare com vários produtos, mas reconhece “não ser suficiente para ter quantidades que possa exportar”.
“Temos poucos hectares”, reconheceu Ana Santos, ao assegurar que é solicitada muitas vezes por empresas do continente para poder exportar, mas admitiu não ser fácil, devido à reduzida dimensão da produção e do número de produtores.
Além disso, acrescentou, o transporte de avião para o continente dos produtos “é caríssimo”.
Ana Santos, que admite tratarem-se de produtos que “ainda chegam muito caros ao consumidor”, defendeu que se volte a apostar na constituição de uma associação de produtores de modo biológico nos Açores, que “há anos chegou a existir”.
“Era muito importante voltarmos a ter uma associação socioprofissional, como seria excelente existir alguma cooperativa que pudesse comercializar o que produzimos”, defendeu, lembrando existir por toda a Europa, incluindo o continente e Madeira, múltiplas associações ligadas a diversos operadores.
Insistindo “na vertente formativa” e também como “um alento” para os próprios produtores, realçou que a sua quinta está aberta para visitas de escolas e fornecer informação sobre este modo de produção.
“Estas coisas ainda são novas no mercado e, de facto, como em todas as actividades novas, há um certo cepticismo e receio de concorrência entre os outros tipos de agricultura, o que não tem razão de ser”, sustenta.
Fonte: Lusa
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