Açores / Leite: Governo admite apoiar compra de quota nacional para evitar multas

O secretário da Agricultura açoriano admitiu hoje que o Governo Regional possa apoiar a compra no Continente de quota leiteira como forma de evitar que os produtores paguem multas por excesso de produção na actual campanha.

O Governo açoriano “tudo fará para fazer chegar à produção mais quota”, disse Noé Rodrigues, após uma audiência solicitada pela Associação Agrícola de São Miguel com o presidente do executivo açoriano para analisar este problema.

Em causa está a possibilidade de lavradores de várias ilhas terem de pagar multas no fim da campanha que termina em Março, tendo em conta os níveis de produção de leite registados nos últimos meses, que perspectivam a ultrapassagem da quota atribuída às ilhas.

A indicação é que “haverá alguma quota disponível no Continente”, disse o secretário do sector, que admitiu, assim, que o Governo está a estudar a hipótese de apoiar a sua aquisição para os Açores, alegando que se trata de uma forma de “valorizar a fileira” da produção de leite nas ilhas.

Noé Rodrigues alertou, porém, que cabe aos produtores gerir as suas explorações conforme os limites máximos de produção atribuídos, mas garantiu que o executivo está a analisar todos os cenários que permitam afastar o pagamento de multas comunitárias pelos lavradores.

O secretário da Agricultura anunciou, ainda, que deverão ser transferidos em breve para o sector direitos de produção equivalentes a 16 milhões de litros, que foram libertados através de um resgate de quota efectuado nos Açores e por transferências da reserva nacional.

Após o encontro com Carlos César e Noé Rodrigues, o presidente da Associação Agrícola de São Miguel admitiu que a compra de quota no mercado nacional é a solução já apontada por associações e cooperativas do sector, alegando ser importante evitar o pagamento das multas.

Segundo Jorge Rita, este não é um “processo fácil”, tendo em conta que é “muito difícil dizer aos lavradores para não produzirem”, numa altura em que várias indústrias anunciaram uma redução do preço-base do leite a pagar aos produtores.

Sobre esta redução de preço, anunciada pela BEL Portugal e seguida por outras indústrias de lacticínios de São Miguel, o dirigente associativo salientou que se trata de uma questão “problemática” todos os anos e assegurou que o objectivo da associação é a defesa do rendimento dos agricultores.

Jorge Rita defendeu, ainda, que o Governo açoriano deve salvaguardar a manutenção dos rendimentos da produção nos apoios que dá à indústria de lacticínios dos Açores.

A Associação Agrícola de São Miguel concorda com o apoio prestado aos industriais, logo que o preço de leite a pagar aos produtores não venha a baixar, disse Jorge Rita.

Sobre este assunto, o secretário regional considerou que não tem informações que justifiquem a redução do preço de 65 cêntimos por cada cem litros e considerou que o Governo Regional é, apenas, um mediador entre os produtores e a indústria neste processo.

Fonte: Agroportal

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