Açores: Governo e lavoura defendem que mercado permite aumento do preço do leite

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) e o Governo açoriano defenderam hoje que o mercado de lacticínios apresenta condições para permitir um aumento do preço do leite pago pelas fábricas aos produtores do arquipélago.

“O mercado evolui de uma forma muito favorável para que haja novos ajustamentos nos preços aos produtores”, afirmou o secretário regional da Agricultura, que hoje se reuniu com os responsáveis da AASM, em Ponta Delgada.

Segundo Noé Rodrigues, os lavradores açorianos têm mantido a sua produção “no máximo da suas quotas de referência”, o que justifica a reivindicação do sector de mais quota para o arquipélago.

“É preciso e é necessário existir mais quota disponível para os produtores regionais”, alegou o secretário açoriano do sector, para quem as indústrias devem ter uma estratégia de ajustamento constante dos preços, numa altura em que se prevê que o mercado tenha “francas possibilidades de remunerar melhor” o leite pago aos produtores.

Para o presidente da AASM, as indústrias de lacticínios da ilha de São Miguel “não estão fazer a parte que lhe deve em relação ao preço do leite”.

“A indústria, ao nível de São Miguel, está cada vez mais capitalizada, cada vez ganha mais e os produtores ganham menos”, alertou Jorge Rita.

Segundo o dirigente associativo, que destacou as “diferenças abismais” entre o preço do leite pago aos produtores da Europa e aos açorianos, os mercados nesta área estão “extremamente favoráveis” para os produtos lácteos a nível nacional.

“O valor mínimo (de aumento) é quatro cêntimos” por cada litro, disse Jorge Rita, para quem os Açores estão a “perder uma grande oportunidade”, devido a uma “indústria míope que vê a curto prazo”.

Após a reunião com o Governo Regional, a AASM salientou, ainda, que a operação de resgate de quota leiteira lançada pelo Governo Regional “acabou por ser cirúrgica”, por permitir que pequenos produtores possam sair do sector “com o máximo de dignidade”.

Segundo Jorge Rita, existem 211 produtores que viram as suas candidaturas aprovadas e que 50 por cento da quota a vender será de explorações da ilha de São Miguel.

Sobre esta operação, Noé Rodrigues adiantou que permite reestruturar a produção de leite, ao mesmo tempo que garante que os produtores sem condições para produzir leite se possam retirar “com uma saída digna”.

Este resgate permite aos produtores de leite interessados venderem a sua quota por 40 cêntimos o quilo, direitos de produção que são, depois, distribuídos por outros lavradores da mesma ilha.

A portaria prevê que os primeiros pagamentos por conta do novo resgate sejam efectuados a partir de Junho do próximo ano, sendo o remanescente liquidado a partir de Maio de 2009.

Esta nova operação terá efeitos no próximo ano agrícola – a iniciar em Março de 2008 – e, segundo o executivo regional, para aprovação de candidaturas foram estabelecidas prioridades relacionadas com o grau de sanidade das explorações e dimensão da quota atribuída ao produtor em referência.

Fonte: Agroportal

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