A Federação Agrícola dos Açores alertou hoje para o risco de ultrapassagem na região da quota de produção de leite, o que implica o pagamento pelos lavradores de multas relativas à campanha que termina em Março.
“Se continuar nestes níveis, pode haver ultrapassagem de quota”, salientou o dirigente associativo Jorge Rita à agência Lusa, ao adiantar que, na ilha Terceira, a produção subiu cerca de 20 por cento nos últimos três meses, em relação ao período homólogo de 2004.
No caso de São Miguel, a ilha com maior produção de leite dos Açores, o crescimento situa-se entre os 08 a 09 por cento, o que deve obrigar os produtores a um esforço de contenção até ao final da campanha, para evitar o pagamento de multas comunitárias, disse Jorge Rita.
Depois de um período da campanha com crescimento negativo, a produção de leite, a principal área do sector agrícola das ilhas, tem vindo a subir nos últimos meses, uma situação que o dirigente da Federação atribui às “condições favoráveis” verificadas na região.
Além do “clima excepcional” para a produção de leite, este aumento poderá estar ligado aos melhoramentos animal e alimentar dos bovinos, admitiu Jorge Rita, que salientou que todos os produtores “conhecem as regras do jogo” e são informados, mensalmente, pela indústria da evolução da sua quota.
O presidente da Associação Agrícola de São Miguel salientou, porém, que a contenção de produção “não é fácil”, uma vez que os lavradores “não podem fechar a torneira” nas suas explorações.
Jorge Rita disse, ainda, que os produtores açorianos podem recorrer, até 31 de Janeiro, à transferência de quota de outros lavradores que não utilizem o total do seu limite, uma solução que deve ser utilizada através do controlo feito pelas fábricas de lacticínios.
Na campanha de 2002/2003, vários produtores de leite açorianos foram obrigados a pagar cerca de um milhão de euros de multas, uma verba que foi, recentemente, devolvida, devido a um erro na aplicação da fórmula de cálculo.
Na altura, o Governo Regional e as associações do sector alegaram que as multas aplicadas tinham sido “ilegais”, uma vez que a quota total ao dispor da região não tinha sido ultrapassada.
Fonte: Agroportal
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