Açores: Comercialização de carne IGP atrasada por falta de matéria-prima

O processo de comercialização da carne produzida nos Açores com Identificação Geográfica Protegida (IGP) está atrasado por falta de matéria-prima que permita abastecer o mercado, admitiu ontem o presidente da Federação Agrícola local.

Falando na Horta, no decorrer de uma reunião do Conselho Regional da Agricultura dos Açores, órgão consultivo do executivo açoriano, Virgílio Oliveira reconheceu que uma parte dos produtores de carne continuam a optar pela comercialização do gado vivo.

Segundo explicou, muitos produtores açorianos preferem continuar a exportar o gado vivo para o continente, por ser um processo mais rentável do que abatê-lo e embalá-lo nos Açores, mesmo com direito a um selo de identificação.

Para Virgílio Oliveira, este é um “processo difícil”, porque o preço da comercialização do gado vivo tem subido significativamente, o que “fez inflacionar os preços da carne”, o que faz com que muitos produtores continuam a “aderir ao mercado tradicional, em vez de optarem pelo novo desafio da carne IGP”.

Além disso, este novo processo de identificação da carne açoriana vem, na opinião do presidente da Federação Agrícola dos Açores, “mexer com interesses económicos instalados” no sector.

“Neste momento, criou-se aqui um compasso de espera por não haver matéria-prima para fornecer todos estes mercados”, reconheceu o responsável pela Federação Agrícola dos Açores, que é a entidade a quem compete avançar com o processo de identificação da carne açoriana.

Aos jornalistas, o secretário regional da Agricultura e Florestas assegurou que o Governo açoriano já fez tudo o que tinha a fazer em relação a esta matéria e que o avanço do processo está, agora, do lado dos produtores.

“Tudo está feito para cumprirmos aquelas que são as obrigações que competem ao Governo, agora as organizações de produtores de carne IGP e os agentes económicos, sabendo que isto está disponível há muitos meses, que estabeleçam as suas estratégias e que nos notifiquem, para podermos pôr em funcionamento toda a máquina”, advertiu.

Em relação à produção de leite, o governante defendeu a realização de um estudo de impacto económico e social nas ilhas face à eventual extinção do regime de quotas em vigor na União Europeia até 2015.

Fonte: Lusa

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