Cerca de mil produtores de leite açorianos abandonaram a actividade na última década, o que permitiu o redimensionamento das explorações e o rejuvenescimento da população agrícola, anunciou hoje o secretário regional da Agricultura.
Em declarações à agência Lusa, Noé Rodrigues sustentou que o abandono se deveu “ao resgate leiteiro, a reformas antecipadas e por parte daqueles que não têm noção do que são hoje os rendimentos da agricultura”.
O facto de existirem menos produtores “não significou uma queda na produção, uma vez que ela cresceu cerca de 30 por cento, mantendo-se estável o número de efectivos bovinos na região” nos últimos anos, adiantou o secretário regional do sector.
Uma situação que se deveu, segundo acrescentou Noé Rodrigues, ao melhoramento genético do efectivo animal, a uma maior competitividade entre as explorações e um aumento significativo da qualidade do leite produzido nos Açores.
Noé Rodrigues realçou que o resgate leiteiro (compra de quota a produtores) levado a efeito na região em 2004 se destinou apenas a explorações que não ultrapassavam os 70 mil litros de produção.
“Alguns produtores conjugaram a venda da quota leiteira e a reforma antecipada para abandonarem a actividade ou passarem as terras aos filhos”, explicou o governante.
Uma fonte da Associação Agrícola da Ilha Terceira apontou à Lusa como razões para o abandono da actividade o “desencanto” com a situação actual no sector leiteiro, com aumentos constantes dos factores de produção e uma redução do preço do litro nos últimos três anos.
Segundo a mesma fonte, só na ilha Terceira abandonaram a actividade, nos últimos dois anos, 129 produtores de leite.
“Também o necessário redimensionamento e modernização das explorações agrícolas, para o que muitos não tiveram dinheiro suficiente, originou o abandono da profissão”, sublinhou.
“Já não é possível viver condignamente de explorações agro-pecuárias com um efectivo inferior a 30 animais produtores de leite”, referiu a mesma fonte.
Admitiu também que alguns dos pequenos produtores de leite abandonaram a actividade porque o preço pago na venda da quota, 40 cêntimos por litro de leite, foi significativo.
Quer Noé Rodrigues, quer a fonte ligada à AAIT, convergiram na opinião que parte dos produtores de leite abandonou esta actividade para se reconverterem em produtores de carne.
Fonte: Agroportal
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