Açores: Carne IGP deverá chegar ao mercado antes fim do ano

O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA) anunciou hoje que a carne do arquipélago com Indicação Geográfica Protegida (IGP) deverá estar disponível no mercado até ao final do ano.

Virgílio Oliveira, que falava após uma reunião com o secretário açoriano da Agricultura, em Ponta Delgada, defendeu que o arquipélago “não pode perder esta oportunidade de negócio”, que vai permitir aumentar o rendimento dos produtores locais.

“Trata-se de algo vital para muitas ilhas com pouca dimensão e onde o negócio do leite tem menor expressão”, afirmou o responsável pela FAA, sublinhando que o processo de certificação da carne açoriana enfrentou várias “bolsas de resistência”.

“Houve uma data de resistências dentro da lavoura, de ordem económica e comercial que levaram a um impasse”, concretizou o responsável federativo, garantindo que agora haverá uma “mudança de filosofia”.

Desde 2003 que a União Europeia reconheceu à região a possibilidade de produzir carne IGP.

Com a recente constituição da cooperativa Verdatlântico, destinada unicamente a gerir a carne açoriana IGP, Virgílio Oliveira assegurou que “o processo entrou agora no caminho certo”.

Segundo disse, os animais vão passar a ser enviados para o exterior mortos e desmanchados, oferecendo aos consumidores uma carne de qualidade, sendo comercialização feita em parceria com empresários privados.

“Já temos duas empresas regionais e uma nacional interessadas em comercializar uma carne de excelência, dado que a cooperativa não tem conhecimentos suficientes para actuar sozinha”, revelou Virgílio Oliveira.

Nos Açores existem cerca de 200 explorações devidamente certificadas, de acordo com critérios definidos pela União Europeia, e um potencial de 4.500 a cinco mil animais para produção de carne IGP, disse.

O secretário regional da Agricultura e Florestas, que se mostrou agradado com o avançar do processo, considerou que existem ainda “muitas dificuldades a ultrapassar” antes da carne chegar aos consumidores.

Para Noé Rodrigues, há que estudar bem o tipo de colocação pretendida, realizar uma análise mais profunda dos mercados alvo para a comercialização e apurar procedimentos inerentes à consolidação da carne IGP.

“Os agentes económicos do sector da carne têm ainda muito para fazer, mas o Governo Regional está sempre atento e disposto a apoiar”, disse o governante.

A certificação da carne como Indicação Geográfica Protegida, uma avaliação que compete ao Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA), obedece a múltiplos critérios, que vão desde as condições de pastoreio dos animais, até ao abate e desmancha.

Fonte: Agroportal

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