A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) está a desenvolver contactos para comprar no continente quota leiteira a fim de evitar o pagamento de multas por excesso de produção na actual campanha, anunciou hoje o seu presidente.
Esta é uma das soluções adoptada pela AASM perante a possibilidade de lavradores da ilha açoriana terem de pagar multas no fim da campanha que termina em Março, tendo em conta os níveis de produção de leite registados nos últimos meses, que perspectivam a ultrapassagem da quota atribuída às ilhas.
Recentemente, o secretário da Agricultura admitiu, após uma audiência com dirigentes associativos do sector, que o Governo Regional possa apoiar essa compra de quota no Continente, mas adiantou que esta hipótese estava em estudo.
Segundo disse hoje o presidente da Associação Agrícola de São Miguel à agência Lusa, a organização já encetou contactos, a nível nacional, com “pessoas detentoras de grandes quotas” e que “estão disponíveis” para venda na região.
Jorge Rita, que realçou que este processo “terá que ser rápido”, admitiu que a negociação para compra de quota de produção de leite terá de ser efectuada com “cautela” para que os agricultores “não fiquem asfixiados financeiramente”.
O prazo limite para as transferências de quota para a região termina a 31 de Janeiro, explicou o dirigente associativo, revelando que a Associação está a negociar no sentido de a compra de quota “não ser a preços muito elevados”.
“Este é um processo que tem que ser bem ponderado”, reforçou Jorge Rita, que apontou para a necessidade de ser encontrado um “preço equilibrado” para o negócio.
à semelhança do resto do país, a produção de leite nos Açores está sujeita a um limite máximo de produção (quota) que, caso seja ultrapassado pelos produtores, implica o pagamento de multas comunitárias.
Este sistema já obrigou ao pagamento de multas numa anterior campanha, entretanto devolvidas aos lavradores, depois de ter sido reconhecido um erro no cálculo de apuramento.
Isto porque, apesar de alguns produtores terem ultrapassado o seu limite, a região, no seu global, ficou abaixo do limite máximo que está atribuído.
Perante os últimos dados relativos à produção, o executivo açoriano tem vindo a alertar para a necessidade dos lavradores das ilhas terem em conta a ameaça do pagamento de multas, mas garantiu que “tudo fará” para fazer chegar mais quota ao sector.
Fonte: Agroportal
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