Na sequência de uma carta aberta “A propósito dos OGMs” publicada no expresso, o Centro de Informação de Biotecnologia (CIB) afirma, em comunicado, que o referido texto é «descuidado e desinformativo» na sua abordagem a propósito das variedades de milho transgénico.
No documento, o centro esclarece que as variedades de milho geneticamente modificado utilizado em Portugal permitem, a pequenos e grandes agricultores, reduzir custos de produção entre 10 a 15 por cento e aumentar a produtividade até 25 por cento.
Os organismso geneticamente modificados (OGM) evitam o uso de pesticidas, reduzem a emissão de dióxido de carbono (CO2), devido à diminuição do uso de tractor, e reduz de 50 a 90 por cento o teor em micotoxinas, substâncias produzidas por fungos que afectam a saúde de pessoas e animais.
Segundo o mesmo, estima-se que a utilização mundial destas variedades, entre 1996 e 2004, permitiu um abatimento cumulativo de 172.500 milhões de toneladas de pesticidas e, só em 2005, evitar a emissão de CO2 correspondente a mais de quatro milhões de carros.
O CIB refere ainda que nem a Organização Mundial de Saúde, nem as agências nacionais e internacionais de segurança alimentar referem qualquer prejuízo para os animais e pessoas devido ao consumo de alimentos contendo derivados das variedades transgénicas aprovadas.
Os agricultores não ficam dependentes dos OGM se não os quiserem utilizar, exemplificando, no caso do milho, que é a única cultura deste tipo permitida na Europa, os agricultores que produzem comercialmente compram todos os anos as sementes porque elas são híbridos, mesmo que não sejam geneticamente modificadas.
Para os produtores seria desastroso se guardassem as sementes de um ano para o outro, transgénicas ou não, para além de serem obrigados a frequentarem acções de formação se quiserem produzir OGM.
Em Portugal existe uma legislação clara e rigorosa sobre o cultivo, rastreabilidade, rotulagem e fiscalização à sua produção, salientando o CIB que, durante anos, várias organizações, inclusive ele próprio, têm divulgado e debatido a utilização desta tecnologia.
O Centro de informação garante que em Portugal não existe qualquer risco para a biodiversidade no uso de variedades de milho transgénico, por diversas razões.
Primeiro porque não existem outras plantas com que o milho se cruze e a espécie é tão variável que cada grão no campo corresponde a um tipo genético distinto.
A segunda prende-se pelo facto de não se encontrarem variedades tradicionais portuguesas nas planícies onde se produz milho comercial, mas sim nas montanhas, e também devido às diferentes datas de floração, não havendo qualquer possibilidade de fecundação entre as variedades comerciais e tradicionais.
Por último, porque no caso do milho português ainda existe trabalho quer no campo, quer no laboratório, que continua a estudar e a valorizar as variedades tradicionais, nomeadamente as utilizadas na produção de broa.
Para terminar, o comunicado, da responsabilidade do Centro de Informação de Biotecnologia, afirma que os autores demonstram «um total desconhecimento da realidade da agricultura portuguesa, do que é a agro-biodiversidade, do que é o milho e a sua cultura, do que é o melhoramento vegetal, do que é sustentabilidade e do que são variedades transgénicas».
O documento realça ainda que o texto apenas pretende comprometer a agricultura e os agricultores portugueses, num país que importa dois terços do milho que consome e que vai ter que pagar pelo mesmo quase 50 por cento, devido ao aumento brusco dos preços dos cereais no mercado mundial, destacando o facto desse milho ser comprado em países que não descriminam as variedades transgénicas das convencionais.
Fonte: CIB e Confragi
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