Os portugueses estão cercados de más notícias e, agora, até se sentam à mesa com elas. É pelo menos o que acontece a todos os consumidores que, desde o início do ano, estão a pagar, pelo menos, mais 2% a 6% por uma série de bens alimentares.
Uma lista de compras que começa nas papas lácteas, cereais e chocolate para leite, passa pelo queijo e margarinas, e acaba nas cervejas e nos cafés. Sufocadas pela subida galopante dos preços de matérias-primas, em especial dos cereais, grandes empresas de produção e distribuição assumem que já não conseguem absorver mais custos. Consequência: é o consumidor que acaba por pagar, no final, esse agravamento. Correcção: já está a pagar por isso.
A escalada dos preços não é a novidade do ano: há muito que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) tem alertado para esse cenário. O seu barómetro mundial – que mede as variações de um cabaz composto por cereais, açúcar, óleos, carne e lacticínios -, tem registado subidas (à excepção do açúcar) e deve continuar nesse registo devido à escalada do preço do petróleo.
A oferta actual de matérias-primas, é fácil de ver, já não chega para as encomendas. A solução? Aumentar a produção e reforçar as políticas de gestão de ‘stocks’. Ou ir ainda mais longe, reduzindo a dependência externa de cereais – isto tendo em conta que, nas importações alimentares em 2010, os cereais e as oleaginosas representam perto de 40%. Mudar este cenário, contudo, exigiria reformas, uma estratégia de produção e investimento – e, claro, tempo. Mas essa meta não tem aparecido na lista de prioridades do País.
Fonte: Económico Sapo
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