A Beira Interior e o azeite biológico

Apesar da desertificação e do abandono da agricultura registado nos últimos anos, a região da Beira Interior não está condenada a ficar no mapa de Portugal como um território permanentemente adiado, fruto do desaproveitamento das suas condições naturais, que compromete a sustentabilidade ambiental e a coesão económico-social do País.

A Beira Interior pode e deve ser competitiva, a começar pela sua estruturação em torno de uma prioridade estratégica que conduza ao incentivo do regresso à terra, no âmbito da aplicação do Programa de Desenvolvimento Rural do Continente (PRODER), com uma estratégia empresarial e de visão de mercado que envolva todos os agentes económicos do sector na região.

Com este pensamento, a Associação de Agricultores para a Produção Integrada de Frutos de Montanha (AAPIM) elaborou, em parceria com a empresa “Espaço Visual”, um grande projecto de Agricultura Biológica, visando converter e instalar dez mil hectares de olival na Beira Interior até 2013, para o qual necessita do apoio e da confiança do Ministério da Agricultura.

O que pretendemos é instalar cinco mil hectares de novas plantações de olival e converter em Modo de Produção Biológica igual área de olival tradicional já existente, nos 24 concelhos da região. É o maior projecto de Agricultura Biológica no País, que está a mobilizar produtores, autarquias e agentes económicos da região e que deve merecer a melhor atenção por parte do Governo, através dos Fundos do Plano de Desenvolvimento Regional, previstos no Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) 2007-2013.

É um projecto de excelência na agricultura portuguesa. É um projecto ambicioso e perfeitamente exequível, que pretende dar respostas aos desafios do Ministério da Agricultura contidos no PRODER, nas suas diversas vertentes de competitividade com sustentabilidade, potenciando ainda os valores paisagísticos e ambientais da região. É ainda um projecto gerador de emprego e criador de esperanças para o desenvolvimento da agricultura e do mundo rural, contrariando o fatalismo do abandono, que teima em contagiar a Beira Interior.

Está em causa um investimento de 126 milhões de euros, até 2013, para conseguirmos instalar dez mil hectares de olival biológico, a partir dos quais será possível gerar um volume de negócios de 46,8 milhões de euros anuais.

A Beira Interior é já uma região com massa crítica, capaz de desenvolver projectos inovadores, de que é exemplo o Plano Estratégico para a Fileira de Azeite Biológico, o qual constitui um motivo de orgulho para a região e para o País. Não estamos a falar do abandono da terra e da sua entrega a investidores estrangeiros, como está a acontecer actualmente com esta mesma fileira do azeite, no Alentejo, cujas excelentes condições agrícolas estão a ser aproveitadas por empresários espanhóis. Estamos a falar da iniciativa de uma região portuguesa, cujos agentes económicos não se resignam e que querem encontrar novos caminhos e novos modelos para um futuro sustentável.

Tal como prevê o PRODER e como, de forma inteligente e responsável, defende o Ministério da Agricultura, Portugal precisa de “reestruturar, modernizar e consolidar” fileiras que sejam competitivas. É o caso da fileira do azeite, neste caso em Modo de Produção Biológica, que, pelo seu valor acrescentado, terá garantia segura como produto exportável para os mercados internacionais cada vez mais exigentes.

O diagnóstico está feito e o caminho a seguir é conhecido. Vontade de lhe dar a melhor resposta não falta aos produtores e agentes económicos da Beira Interior. Oxalá haja vontade política que ajude a concretizar este grande desafio de uma região, que é também um desafio do País.

Fonte: Jornal de Notícias

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