A França pode não possuir petróleo nem nenhuma das empresas gigantes na área da informática, mas reina no mercado internacional, de forte crescimento, do iogurte. Em França coabitam os dois líderes mundiais deste mercado. A Danone, obviamente, mas também a Yoplait, um muito activo número dois do sector.
Mas de forma diferente do seu concorrente, a Yoplait opera no estrangeiro essencialmente através do mecanismo das licenças. Isto quer dizer que, por exemplo, nos Estados Unidos, onde é a primeira marca, os iogurtes Yoplait são fabricados pelo gigante norte-americano General Mills. Os franceses apenas auferem os fees relativos ao licenciamento.
Porém, a marca francesa acaba de dar conta à General Mills que este acordo de parceria irá ser denunciado, que dura há quase 40 anos, para passar a fabricar, ela-mesma, os seus próprios iogurtes. A ideia passa por consolidar a integração do grupo e aumentar a competição com a Danone, neste mercado de elevado potencial de crescimento, com uma baixa capitação e na qual estes produtos têm uma boa imagem ‘saúde’ junto das populações norte-americanas.
Mas construir as unidades industriais por todo lado, custa, evidentemente, demasiado caro. E é aqui que o dossier se complica. Pois é precisamente que a marca se lança neste desafio que ela é formalmente colocada à venda, o que não será o momento ideal. Historicamente, a Yoplait foi criada em 1964 por produtores de leite que formaram, através de sucessivas fusões, a mais importante cooperativa leiteira francesa, a Sodiaal, que possui também outras renomadas marcas, como a Candia ou a Régilait.
Afectada pelo seu crescimento internacional, a empresa encontrou-se numa situação de elevadas dificuldades em 2002, altura em que Sodiaal vendeu 50 por cento da marca Yoplait ao fundo de investimento PAI Partners (ex-Paribas Affaires Industrielles). A empresa regressou a uma linha de resultados positivos e, agora, aquele fundo de investimento quer vender a sua participação.
Mas a quem? Esta é a questão que está no centro do debate. Seguramente, a Sodiaal não terá condições para avançar, pois apesar de ter recentemente comprado, com a ajuda do governo de Paris, a Entremont, não possui meios financeiros à altura das ambições da Yoplait, o que coloca um elevado leque de opções em cima da mesa.
Uma dessas opções é a compra daquela participação pelo actual parceiro norte-americano, a General Mills, ou até por um dos gigantes lácteos emergentes da China. No entanto, os poderes públicos franceses que suportam a fileira leiteira e as suas dezenas de milhares de produtores dificilmente estarão de acordo com essas soluções, bastando lembrar a ‘emoção’ com que a perspectiva de aquisição da Danone pela PepsiCo foi encarada pelo governo de Jacques Chirac.
Resta, assim, o outsider ‘do costume’, o outro gigante francês do sector, a Lactalis, primeira empresa queijeira a nível europeu e que já assumiu controlo da divisão de iogurtes e outros produtos lácteos frescos da Danone. Esta poderá ser uma boa oportunidade de aumentar de dimensão, nomeadamente no mercado norte-americano. A batalha do iogurte está, pois, apenas a começar.
Fonte: Anil
Segurança Alimentar Desde 2004 a tratar da Segurança Alimentar em Portugal