60 países debatem plano de acção mundial para a gestão dos recursos hídricos

Delegados de 60 países, entre eles portugueses, reúnem-se a partir de hoje (22 de Janeiro) em Roma para debater a criação de um plano de acção mundial para a gestão de recursos hídricos, segundo o organismo da ONU para a Agricultura e Alimentação.

No encontro, que decorre até sexta-feira e no qual, segundo o Ministério do Ambiente, também participam «dois delegados portugueses do departamento de relações internacionais do ministério», prevê-se que seja concluído o plano de acção, que será aprovado na conferência ministerial do «V Fórum Mundial da Água», em Istambul, na Turquia, entre os dias 16 e 22 de Março.

O crescimento demográfico e a expansão das cidades, aliados ao desenvolvimento industrial e às alterações climáticas, são, segundo o Conselho Mundial da Água (responsável pela organização do fórum) os factores que actualmente levam a uma maior pressão sobre os recursos hídricos no Mundo.

Para o director-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Alexander Müller, o grande desafio da agricultura é «produzir mais alimentos para uma população crescente, utilizando de maneira mais eficaz os recursos hídricos mais limitados».

Lembrando que a agricultura mundial consome cerca de 90 por cento da água doce existente, o organismo das Nações Unidas (ONU) sublinha, em comunicado, que o aumento da produtividade agrícola pode «liberar um importante volume de água para outros fins».

Desta maneira, precisa a FAO, uma redução de um por cento na utilização agrícola suporia «um aumento de 10 por cento da disponibilidade de água para outros sectores».

Para Francisco Ferreira, da organização ambientalista Quercus, o «V Fórum Mundial da Água» é mais uma «oportunidade» para discutir assuntos relativos às políticas de água à escala internacional, o que também inclui o «cumprimento da meta de reduzir para metade, até 2015, a proporção de pessoas sem acesso a água potável no Mundo», prevista nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio da ONU.

Mas este fórum deve também servir para «fomentar uma discussão sobre o estado e a gestão dos recursos hídricos em Portugal», uma vez que «ainda há muitas questões em aberto», sublinhou o especialista.

«Portugal é um país com vulnerabilidades em termos de maior ocorrência de seca e de cheias, que vão ser agravadas pelas alterações climáticas. Há falta de água para as necessidades agrícolas, especialmente na região Sul, e existem outras questões relacionadas com a qualidade e o custo da água que têm de ser resolvidas», afirmou Francisco Ferreira.

Para o professor da Universidade Nova de Lisboa estes temas merecem «maior atenção e discussão» e devem estar no centro do debate sobre um «desenvolvimento sustentável».

Fonte: Confagri

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